Histórias de Natal – Memórias de Natais passados

Fomos à procura de quem se dispusesse a partilhar histórias e tradições vividas, em criança, em Natais passados, num mundo próprio e inocente, cheio de sonhos e fantasias.

A história e as tradições aqui referidas foram-nos contadas na primeira pessoa mas foi-nos pedido o anonimato, passaram-se numa pequena localidade do nosso país.

 

“Lembro-me que, por volta do dia 15 de dezembro, uma tarde após o regresso da escola e após o almoço, reuníamos uns cestos onde colocávamos facas de cozinha do tipo espátulas, partíamos com a mãe e outras pessoas, rumo a uma propriedade onde havia pinheiros. Era o dia de ir procurar um pinheiro para enfeitar, apanhar musgo para o presépio, algumas pedrinhas, folhas secas e ramos de azevinho.

Que excitação! Estava próxima a chegada dos presentes trazidos pelo Menino Jesus na Noite de Natal. Naquela época, aquela localidade ainda não tinha sido descoberta pelo Pai Natal, quem trazia os presentes às crianças era o Menino Jesus que, durante a noite, ajudado pelos anjos, colocavam os presentes nos sapatos que deixávamos junto ao presépio.

Era uma tarde passada no campo bastante atarefada, escolher o pinheiro, apanhar o musgo mais viçoso, escolher as folhas secas mais bonitas, escolher pedrinhas brancas para colocar no rio que iria correr no presépio, cortar com cuidado para não nos arranharmos ramos de azevinho. Terminada toda esta recolha de materiais regressávamos a casa felizes e com as mãos e cara geladas. Já sentados à lareira para nos aquecermos, a mãe preparava-nos um lanche com pão cozido no forno de lenha, barrado de mel (eu adorava pão quente barrado de manteiga e mel ou com azeite e açúcar quando se acabava a manteiga que era feita com as natas do leite produzido na região) e uma chávena de leite.

Depois de aquecidos e com nova energia, na sala montava-se o pinheiro e enfeitava-se com rebuçados chocolates embrulhados em papéis coloridos e brilhantes, havia também fitas e outros enfeites comprados na feira e não faltava a estrela no topo do pinheiro. O presépio era montado à frente do pinheiro, com caixotes que simulavam montanhas e vales e completamente cobertos de musgo verde. Era colocada uma cabana com as figuras do presépio, todas as outras figurinhas de barro, desde os pastores e seus rebanhos, os reis magos, pontes sobre rios de papel prateado, casas formando aldeias com os respectivos habitantes trabalhadores do campo e animais e caminhos feitos de serradura, preenchiam todo o espaço coberto de musgo e enfeitado com folhas secas, pedrinhas e ramos de azevinho. Terminada esta montagem, admirávamos, com orgulho, a nossa obra que exalava um cheiro do pinheiro fresco e do musgo acabado de colher e enchia a casa. São memórias de cheiros que permanecem associados a momentos de grande e inocente felicidade.

Finalmente chegava a noite do dia 24, a família que nessa altura era alargada a familiares que se juntavam para passar o Natal, reunia-se em volta da mesa para a noite de consoada. Na mesa havia bacalhau cozido acompanhado de hortaliças e batatas e uma travessa com um grande polvo cozido. Havia doces típicos da região e da época mas, sobre a ementa da ceia e do dia de Natal, se quiserem, posso falar depois. No dia seguinte com as sobras do bacalhau e das batatas faziam-se pastéis de bacalhau e com o resto do polvo cozido cortava-se em pequenos filetes que se passavam por um polme de ovo e se se fritavam. Estes petiscos serviam de entrada do almoço do dia de Natal. A noite era animada, o jantar era demorado, falava-se, contavam-se histórias, ria-se e de vez em quando contavam-nos às crianças, alguma peripécia, muitas vezes irreal, em que nós acreditávamos e nos espantava ou maravilhava.

Quando chegava a hora de irmos para a cama deixávamos o sapato junto ao presépio para que, durante o resto da noite, o Menino Jesus lá fosse colocar os nossos presentes.

Era uma noite de excitação, mal despontava o dia e sentíamos que já havia movimento na cozinha, saltávamos da cama e corríamos aos presentes. Depois, junto dos nossos pais, agradecíamos os presentes recebidos.“

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Nota: As imagens são fotos do Persépio concebido pela Designer Cláudia Perdigão, que se encontra montado no Centro Comercial Oeiras Parque.

DESIGNER

 

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