O Natal pode ser mágico! Memórias de Natal – O peru

O Natal pode ser mágico! Está ao nosso alcance fazer acontecer momentos mágicos. Muitas vezes, basta dar um pouco do nosso tempo a alguém que, pela vida já vivida, apenas deseja atenção e um abraço carinhoso. Uma senhora que já passou dos noventa anos contou-nos as suas memórias de Natal e deu-nos a sua receita do Peru de Natal que, em todos os Natais, punha na mesa com a família reunida.

Enquanto conversávamos e tomávamos um chá aconchegante, visivelmente emocionada, foi-nos contando as suas memórias e deu-nos a receita do peru que aqui partilhamos.

“Para que a carne ficasse tenra, pois os animais andavam soltos no campo, era embebedado, era-lhe dado aguardente a beber. Depois de morto, depenado e limpo esfregado com sal grosso e forrado com rodelas de limão, era colocado num alguidar com um pouco de água gelada de um dia para o outro num local bem fresco.

Nós: E não a chocava matar ou ver alguém matar o peru?

Não. Nós tratávamos os animais com carinho, alguns até tinham nome e respondiam quando eram chamados pelo nome. Mas, quando necessário eram mortos para as refeições da família, era com esse objectivo que eram criados. Naquela época, não havia supermercados nem talhos a qualquer esquina como há hoje e só íamos ao talho comprar carne muito raramente porque todos tinham as criações de animais que serviam para produzir os ovos e a carne para nos alimentarmos. A carne que comíamos dos animais criados no campo era muito saborosa, em nada parecida com a carne embalada que hoje se compra nos supermercados.

No dia seguinte, durante uma ou duas horas, punha-se o peru a escorrer a água. Entretanto preparava-se uma pasta com bastante alho, salsa, presunto cortado muito miudinho e manteiga ou azeite e um pouco de sal. Introduz-se esta pasta por entre a pele e a carcaça do peru. No interior do peru colocava-se mais presunto com a parte gorda da carne, um pouco de sumo de limão, duas folhas de louro, regava-se com vinho branco e um cálice de aguardente. Ficava assim temperado até ao outro dia num local bem fresco. No dia seguinte ia ao forno, se necessário colocava-se um pouco mais de água, de vez em quando regava-se com o molho e virava-se para assar de ambos os lados. Quando a pele estava bem tostadinha estava pronto a ir à mesa.

Estando o forno bem quente eram cortadas batatas aos palitos, temperadas com sal, salsa, alho picado e uma cebola grande cortada às rodelas, regavam-se com o molho do peru e iam ao forno a assar. Com os miúdos do peru fazia-se arroz que se deixava cozinhar no forno.

Quando se chegava ao natal e ainda havia castanhas, coziam-se com sal, descascavam-se e regavam-se com um pouco de azeite ou pequenas nozes de manteiga e também iam ao forno a tostar.

Nós: Qual a memória mais forte que guarda do Natal?

O que mais gostava era de ver a alegria dos meus filhos e do meu marido nesta época. Gostava também de ver toda a família animada à mesa de Natal e o apetite de todos ….”

Algum humor em torno do peru.

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