Impossível ficar indiferente! – Nita Domingos uma mulher especialíssima

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.” Charles Chaplin

Acontece Aqui e Ali a coragem e a determinação que constituem exemplos de vidas inspiradoras. Há magia e paixão na vida de uma jovem, cuja perseverança e energia posta numa teimosia “boa”, mostram a fibra do caráter dessa jovem.

A alegria de viver e a força do querer estão bem patentes na índole desta jovem – uma força da natureza. Para quem tiver o privilégio de privar com esta jovem, sente a luz e amor que dela emana, é claramente um exemplo de vida, é uma Vida Inspiradora – impossível ficar indiferente!

Há cerca de 3 anos ao conversar com uma amiga sobre uma adolescente triste e deprimida que não convivia bem com a sua doença falou-me de uma escritora jovem de apenas 24 anos (à data), especialíssima, apaixonada pela vida, portadora de uma doença rara e sem cura – Neurofibromatose tipo II, e que pouco a pouco foi perdendo a audição e a visão de um olho devido a um tumor na cabeça e outro na garganta.

Aqui fala-se de Tânia Domingos -, com quem tive o prazer de trocar algumas mensagens, com o objetivo de comprar um dos seus livros e oferecer com a sua dedicatória àquela jovem triste, para que através do seu testemunho e história de vida que se revela generosa e bondosa, a pudesse ajudar a superar as dificuldades, as contrariedades e encarar a vida de forma positiva.

Nós as 4, Donna, Anna, Bella e Antonella e a escritora Nita Domingos temos em comum a Força do Querer na busca da felicidade individual e coletiva, por isso decidimos partilhar esta experiência e realçar Aqui e Ali uma Vida ímpar.

Nada melhor do que a própria para falar de si e dos seus projetos. Lançamos o desafio, de imediato aceite, para através de uma entrevista contar a sua experiência de vida, a sua luta, para de certo modo inspirar e transmitir uma mensagem de força, determinação e coragem. Fica aqui registada a nossa entrevista e o nosso profundo agradecimento pela sua disponibilidade e partilha.

D.A.B.A – Nita pode contar um pouco da sua história? O que é sofrer da doença de Neurofibromatose tipo II?

N.D. – É uma grande chatice. 😉 bem, então vamos lá, a NFII é uma doença rara. Não é completamente linear, ou seja, não é igual em todas as pessoas. Mas basicamente vão surgindo tumores benignos ao pé de alguns nervos importantes, na cabeça ou nas costas.

A doença a mim trouxe-me muitas operações, cerca de vinte, perdi a audição devido a tumores que “destruíram” os nervos auditivos, depois fiquei com duas paralisias faciais, o que faz com que os olhos não pestanejem, não fecham, fecho-os com fita-cola mas ando sempre com infeções, agora deram para andar a pálpebra a fechar, dou por mim a cortar papel de embrulho sem ver nada, depois fiquei com duas úlceras nos olhos, depois perdi a visão de um olho, depois perdi algum equilíbrio, depois fiquei com uma corda vocal afetada. Mas estou viva não é? Por isso a alegria é maior que o sofrimento.

D.A.B.A. – Lembra-se do momento em que se fez o clique na sua vida e resolveu enfrentar as adversidades e ser diferente na diferença?

N.D. – Isto de ser diferente é uma coisa que não acedo. Somos todos diferentes e amanhã podemos ser mais diferentes. Se tivermos algum azar, como é? As pessoas não percebem que todos podemos ter a doença a b ou c? E que um dia queremos ser respeitados com normalidade?  Por isso ser diferente é ou devia ser normal. Porquê tanto estigma no ser diferente? Porquê tanto tabu? É por medo? Se corremos todos o mesmo risco.

Desde os seis anos que me apercebi da doença e quem cresce com isto só tem uma alternativa ser forte, porque se se entrega à doença não vive nada de jeito. E eu sempre quis muito VIVER. Não era existir. Era viver. Viver a minha história. Contá-la. Fazer acontecer.

Quando perdi a audição, tinha 17 anos, foi duro, foi muito duro. Chorei a noite inteira e no dia a seguir disse mesmo vou ter de me erguer.

Eu tinha a minha vida pela frente, a qualidade de vida dos meus, eu não podia desistir. Agora, é óbvio que não é assim tão linear. Lá está, é um clique diário. E muitos muitos truques, para contornar os meus limites e as minhas dores nos olhos.

Em contrapartida a saúde é a única coisa chata na minha vida, eu tenho uma família de sonho, amigos incríveis, pessoas especiais, viajo bastante,  trabalho com gosto, tenho os meus projetos. Tenho casa, comer e amor.  Tenho os melhores pais do mundo. Sou muito feliz porque sou muito grata a todas estas bênçãos. A vida não me deve nada, com isto tudo de bom, ficaram as contas ajustadas. Só peço mesmo para me deixar continuar a ver do olho a percentagem de agora que dá para eu fazer a minha vidinha feliz!

D.A.B.A. – É empresária, escritora, neta, filha, irmã, humanitária – apoia projetos de solidariedade. Como consegue conciliar tudo isto na sua vida diária?

N.D. – Sou muito teimosa. E isso faz com que eu insista, faça e queira fazer, e queira melhorar, e queira superar-me. Porque se me rendo fujo do meu princípio de viver com intensidade. Agora não há milagres, sou como os outros, tento organizar-me o máximo, tento ser o mais eficiente no mínimo espaço de tempo. Tento não perder a sensibilidade diante da pressão das empresas. No último ano escrevi muito pouco, mas fiz muito pelos meus, dei-lhes mais o meu tempo. A escrita é muito bonita, mas para ser coerente com tudo o que escrevo e faço, num mundo caótico é complicado.

D.A.B.A. – O que acha desta citação – “Somos vítimas dos nossos problemas ou heróis das nossas histórias?”

N.D. – É a minha máxima de vida. Vou dizer aqui vários exemplos:

  • Vítima do problema: o olho não fechar, não conseguir dormir….
  • Heróis da nossa história: arranjei a solução, fecho-os com fita-cola.
  • Vítima do problema: não viajar porque vemos mal e não vimos os painéis do aeroporto.
  • Heróis da nossa vida: andar sempre com o telemóvel e fazer Zoom.
  • Vítima do problema: achar que a nossa saúde só os médicos percebem.
  • Heróis da nossa história: aprendermos com os sinais, procurarmos soluções, testarmos, vermos lá fora, sermos pro ativos.

Tudo isto são escolhas, temos de fazer as mais inteligentes.

D.A.B.A. – Júlia Pinheiro disse “…esta menina é um farol de alegria”, o que acha desta afirmação, que Nós as 4 subscrevemos? E que acontecimentos, se é que existem, a fazem apagar a luz desse farol de alegria?

N.D. – Quando não vejo soluções, quando os meus olhos não abrem, quando não consigo acompanhar a minha mente, quando vejo injustiças, pessoas a desperdiçar os dias, quando os meus estão tristes, quando sou impotente perante algo. Quando sinto que peso a alguém por alguma limitação.

D.A.B.A. – Tem uma forte componente solidária nas suas ações, de que forma participa e ajuda quem mais precisa?

N.D. – Tem vindo a mudar ao longo dos anos, já fui madrinha de várias instituições, continuo a ser da APLAS – Associação Princesa Leonor, Aceita e Sorri, continuo a ajudar a associação CASA – Centro de Apoio aos Sem Abrigo, mas acima de tudo e cada vez mais tento ver à minha volta onde posso intervir para melhorar algo. Cada vez mais de um modo singular, mais direto.

D.A.B.A. – Ao todo quantos livros já escreveu e porquê Nita? E onde ou como se podem adquirir, por forma a dar oportunidade aos outros de terem um gesto solidário?

livro nita 1N.D. – Já escrevi dois. Eu fui viver sozinha aos 18 anos e aí tinha mais disponibilidade. Depois crescemos e as responsabilidades também não é? Mas Lancei 4 agendas. E um caderno e participei em mais 3 ou 4. Já lá vão uns bons anos. A última agenda foi a de 2017. Em 2018 não haverá. Os livros já só vendo esporadicamente. Para serem solidários prometo que podem começar pela vossa rua, cidade. Ser solidário hoje em dia é estar atento, é ouvir, é sair da redoma e estender a mão ao outro. O mundo está carente.

D.A.B.A. – Há algum conselho que queira dar para que a “Felicidade vire Rotina” na vida de todos nós?

N.D. – Agradeçam. Deem graças e não se esqueçam que vamos morrer. Não escolhemos como vamos morrer no geral, mas todos podemos escolher como vivemos.

Precisamos descansar mais. Andamos todos tão cansados, quais ratos numa roleta russa que nem percebemos que a felicidade está nas coisas mais simples e um dia se as perdermos vamos perceber estupidamente que podíamos ter sido muito mais felizes mas andávamos atrás … atrás nem sei eu do quê. Das coisas erradas?! Talvez.

Experimentem todos os dias quando acordarem e em silêncio irem à janela e agradecer mais um dia e façam uma promessa convosco: que tudo farão para que o dia corra bem e estejam o mais conscientes e ativos mentalmente para não se deixarem levar pelas circunstâncias.

D.A.B.A. – Todos nós sentimos medo, uns podemos evitar, alguns temos de os encarar bem de frente e ainda outros que permanecem por toda a vida. Sendo uma pessoa de coragem qual o seu maior medo?

N.D. – A inutilidade. O depender de alguém. E claro perder a visão, que vai interligar o que acabei de dizer. E o óbvio, o medo do sofrimento dos que mais amo. Sou dos meus. Os meus. E pelos meus eu dou a vida.

D.A.B.A. – Quer terminar esta entrevista com alguma mensagem especial para todos aqueles que vivem e lutam todos os dias nas suas adversidades?

N.D. – Tenham calma. Durmam. Rodeiem-se de pessoas com bom coração. Vejam onde e em quê (e em quem) andam a gastar o vosso tempo. Se está em conformidade com os vossos valores e objetivos. Perdoem. Não deixem nada por dizer. Não economizem as ações onde reside o maior valor da vida. Isto passa a correr. Os tesouros mais bonitos nunca estão à superfície, não desistam de os procurar mas sejam felizes nessa procura, sintam orgulho em vocês mesmos por terem a capacidade de lutar, de vencer, de conseguir e feliz ser… apesar de tudo!

Obrigada Nita Domingos por este testemunho incrível. Na época de Natal que é de partilha deixamos este exemplo para que nos lembremos, a todo o momento, o que é o privilégio de estar vivo e de poder partilhar a vida em harmonia com o que nos rodeia.

“… E, quando tudo mais faltasse, um segredo: o de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída…”, Mahatma Gandhi.

Tenha um dia perfeito! Inspire-se e seja feliz!

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