A Guest house – Casa Raiz e Espaço Raiz

Tereza Freitas, uma mulher de muitos ofícios “Sempre me lembro de mim a inventar e a criar coisas, não importava muito o quê, desde que me estimulasse a vontade criativa eu já ficava feliz“. Após 30 anos de vida citadina regressou às origens onde vive em harmonia com a natureza e possui a sua  guest house, “a casa onde vivo, da qual sou anfitriã, habitualmente recebo grupos em retiro, onde sou também a responsável pela alimentação, uma das minhas maiores paixões“. Um local a visitar para um encontro com a natureza, com a paz e consigo mesmo, uma vida com uma visão a conhecer: “visões românticas, elas ajudam-nos a fantasiar para não olharmos em profundidade para a nossa realidade.” Um projeto resultante de uma paixão que se enquadra no que são as nossas preocupações de bens estar pessoal em harmonia com os outros e com o que nos rodeia.

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Nós: Pode apresentar-se aos nossos leitores falando um pouco de si.

Tereza Freitas: Sou Tereza Freitas, tenho 54 anos, nasci numa aldeia do centro do país, Milheiros, mesmo ao lado da aldeia onde agora vivo, Avecasta. Sempre me lembro de mim a inventar e a criar coisas, não importava muito o quê, desde que me estimulasse a vontade criativa eu já ficava feliz, isso fez de mim uma mulher de muitos ofícios. Como formação escolar segui artes plásticas, design gráfico, arquitetura, equipamento e decoração. Mais tarde e pela minha insatisfação com a vida, desenvolvi diferentes aprendizagens na área terapêutica no sentido de me conhecer e cuidar melhor, como resultado disso desenvolvi também a minha arte e paixão como terapeuta. Sou coach, terapeuta emocional, terapeuta holística e terapeuta de massagem e também terapeuta tântrica.

Hoje tenho uma guest house, a casa onde vivo, da qual sou anfitriã, habitualmente recebo grupos em retiro, onde sou também a responsável pela alimentação, uma das minhas maiores paixões.

Aqui na Casa Raiz tenho o Espaço Raiz, dedicado às terapias e massagens que faço. Em breve espero ter o meu Espaço Arte Terapia pronto onde possa juntar todas estas valências e Tê-las disponíveis para quem me procura.

Nós: O que a fez ir viver para fora da sua aldeia, em particular para Lisboa onde viveu cerca de 30 anos?

Tereza Freitas: Esta zona do país há 50 anos era muito condicionada em termos de possibilidades de aprendizagem e desenvolvimento nas áreas que eu queria para mim e isso fez com que cedo saísse em busca de uma vida diferente. Estudar, trabalhar, casamento, filhas, artes, amigos e um mundo de possibilidades manteve-me em Lisboa por estes 30 anos.

Nós: O que a fez voltar às suas raízes? O apego pela terra e pelo campo permaneceram e funcionaram como chamamento constante?

Tereza Freitas: Eu sempre me senti muito bem aqui, havia sempre a sensação de estar em casa, uma forte conexão com a natureza e com o modo simples, natural e amoroso das gentes daqui. Sempre me lembro do sentir, querer voltar às raízes e por isso não descansei enquanto não fiz esta casa cá, já lá vão 20 anos. Esta casa foi feita a pensar em vir para cá viver, não sabia quando, nem como, mas sabia que viria, e assim aconteceu. Em 2012 voltei definitivamente para cá

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Nós: Pode falar um pouco do seu projeto e como nasceu?

Tereza Freitas: Este projeto vem desde a minha tenra idade e da minha forma de viver e de me expressar, tudo se foi encaminhando, a vida foi-me dando direções a seguir e eu fui respondendo aos apelos do meu sentir. É como se tudo se fizesse, porque assim tinha que ser, e cada vez mais digo que este projeto está para além de mim… é como se houvesse um propósito maior que se aproveita da minha disponibilidade e se manifesta através de mim.

Nós: Citando a Tereza, “As minhas raízes… Por onde caminho e onde me encontro.” Nos seus genes corre uma veia artística. São as suas raízes que alimentam a sua veia artística nas diversas áreas?

Tereza Freitas: Nestes caminhos por aqui em sintonia com a natureza, os animais e os elementos tudo desperta a minha maior sensibilidade e com isto a minha criatividade fica imparável. Esta forte conexão ajuda-me a lembrar que somos apenas amor, beleza, paz e alegria, os grandes pilares da manifestação humana.

Nós: Há uma minoria que, hoje em dia procura o regresso às origens, o regresso a uma vida simples, despojada de bens e em perfeita harmonia com a natureza. Identifica-se com essa minoria?

Tereza Freitas: Não sou muito de me identificar com movimentos sejam eles minorias ou maiorias, a minha natureza leva-me a ser um espírito livre. Faço o que sinto e procuro no que faço sentir-me bem. Para quem precisa de tipificar, sim poderão colocar-me nessa minoria.

Nós: Para si, quais as principais diferenças entre a vida na grande cidade e a vida na aldeia?

Tereza Freitas: Ahahahah. Eu não tenho resposta direta para esta pergunta. Eu gosto muita da cidade e gosto muito do campo, ambos têm características únicas e não gosto de comparar o incomparável, por isso não me faz sentido ver as diferenças. A grande diferença talvez seja mesmo que quando vivo a cidade desfruto dela como ela é, um mundo imenso de gente, oportunidades, cultura, arte, cinema, família, amigos e sei lá, é imenso… na minha aldeia, desfruto do silêncio, da natureza quieta, de cuidar do quintal, inventar e criar sem limites, dos meus animais, da minha casa que adoro, de quem me visita, dos meus vizinhos, amigos e família.

Nós: As oportunidades de desenvolvimento pessoal surgem mais facilmente vivendo na aldeia em harmonia com a natureza?

Tereza Freitas: O meu maior salto em desenvolvimento pessoal foi feito durante as minhas vivências e aprendizagens na cidade. Aqui no campo tenho desenvolvido mais toda a integração disso numa expressão mais espiritual da minha vida. Cada vez mais me sinto conectada com o meu ser interior, o divino em mim. As minhas conversas internas são na sua maioria feitas com o Grande Pai que me guia a cada passo em que eu o permita.

Nós: Habitualmente, muitos de nós, têm uma visão romântica do que é viver numa aldeia. Concorda com esta visão?

Tereza Freitas: Nós gostamos muito de visões românticas, elas ajudam-nos a fantasiar para não olharmos em profundidade para a nossa realidade. Podemos ter uma visão romântica tanto em relação à vida no campo, se vivermos insatisfeitos na cidade, como o oposto disso.

Nós: Sente falta do bulício da cidade ou de alguma facilidade que o ambiente citadino proporciona?

Tereza Freitas: Essa pergunta é-me feita muitas vezes e a minha resposta é: eu adoro estar no campo quando estou no campo e adoro estar na cidade quando vou à cidade, embora cada vez menos vá à cidade. Aqui não sinto falta de quase nada, talvez apenas uma coisa me lembra muitas vezes, as salas de cinema que eu frequentava quando vivia na cidade. King, Nimas e outras assim mais alternativas…

Nós: Através do seu site, ficámos a saber que também é apaixonada pela cozinha. Quer deixar-nos umas dicas simples para que, usando a nossa criatividade individual, possamos fazer um apetitoso e saudável prato em nossa casa?

Tereza Freitas: Eheheheh, mais uma vez me fazem rir e me deixam atrapalhada, pois são tantas coisas que nem sei. Bom vou deixar aqui um prato que pode ser sempre recriado por cada um que o faça. É uma excelente surpresa quando recebemos alguém mais especial, é fácil de fazer e muito saudável.

Abóbora Hokaido no Forno

1 abóbora hokaido redondinha,

Alho e ervas aromáticas, alecrim, salsa, tomilho,

Azeite, sal e pimenta ou outros temperos que gostem de usar.

Para rechear: arroz de vegetais ou millet com vegetais e tofu.

Para acompanhar: salada de agrião, rúcula, tomatinhos cherry, queijo fresco e nozes.

Lavar a abóbora e cortar uma tampa de modo a parecer-se com um tachinho. Limpar de sementes. Retirar um pouco do interior com uma colher afiada e juntar aos legumes do millet, (opção).

Barrar o interior da abóbora com uma pasta feita com o alho, azeite, sal e ervas. Vai ao forno com a tampa por cima, mas não completamente tapada. O forno deve estar bem forte e leva mais ou menos 30min, depende do tamanho. Perto do fim da cozedura junta-se o recheio e vai de novo um pouco ao forno.

Divirtam-se a cozinhar e sejam felizes!

Nós: Que desafio lança aos nossos leitores para que eles possam comprovar no local, a paz transmitida pela vivencia em harmonia com a natureza

Tereza Freitas: Para que se possa sentir verdadeiramente é preciso vir cá experimentar. Desafio cada um que se disponibilize a ler o que acabei de partilhar, a deixar-se levar pelo sentir, pela curiosidade, pelo entusiasmo e deixarem-se perder numa viagem ao centro do país e ao centro de si próprios, eu posso garantir que se assim quiserem, não sairão daqui iguais.

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