À conversa com Filipe L. S. Monteiro – A escrita, a ciência e a magia

Filipe L. S. Monteiro

Filipe L. S. Monteiro, o cientista, escritor e ilusionista, que hoje vamos apresentar aos nossos leitores, deparou-se com adversidades na vida, mas foram essas circunstâncias que lhe permitiram abrir espaço para se dedicar aos grandes fascínios que sentia desde jovem. Concilia a escrita, a ciência e a magia, mas não serão estas três vertentes todas elas mágicas? Descubra, nesta entrevista a pessoa, o escritor, o cientista e o mágico fascinante que é Filipe L. S. Monteiro.

 

Sendo licenciado em química e tendo tido uma carreira profissional ligada à indústria, o que o faz decidir abandonar tudo para se dedicar ao ilusionismo, à escrita e à divulgação da ciência?

O que verdadeiramente me retirou da indústria foi um problema de saúde, até porque o primeiro livro que escrevi foi concluído ainda comigo a trabalhar na empresa que chefiava. E, nesse tempo, também já realizava espetáculos de magia (ilusionismo). Isto é, nenhuma destas atividades seriam incompatíveis com a profissão, apenas teria menos tempo para lhes dedicar. Assim, o meu forçado abandono da indústria deu-me o tempo necessário a dedicar-me e desenvolver estes projetos (junto com a minha esposa, Maria José Alves), a que chamámos de “Ciência, Magia e Livros”. Porque, na verdade, interligamo-los. A escrita, a magia e a ciência eram “paixões de infância” e depois desta saída já tinha tempo para me dedicar a elas…

 

Das três vertentes que desenvolve com paixão, ilusionismo, escrita e divulgação da ciência, qual lhe dá mais prazer ou sente que é a que mais se enquadra nos seus talentos naturais?

Essa é uma questão a que terei muita dificuldade em responder e por isso terá texto mais longo. Isto porque uma das minhas grandes paixões é a leitura e, como tal, poderei dizer que adoro a vertente da escrita, pois foi através dela que tive oportunidade de conhecer e conviver com muitos dos autores que já admirava mas que apenas “via” através das lombadas dos seus livros numa livraria ou feira do livro, ou, na melhor das hipóteses, quando tinha oportunidade de assistir a alguma apresentação por eles feita num qualquer espaço literário.
Contudo, também posso dizer que, desde muito novo, ficava deslumbrado sempre que via um mágico a atuar (na altura, apenas via magia quando tinha a oportunidade de ir ao circo, habitualmente pelo Natal, mas com a chegada da “caixinha mágica”, lá foram surgindo alguns programas, hoje históricos, que passaram na nossa RTP), e sonhava um dia poder proporcionar esse mesmo encantamento a outras pessoas. Já adulto, igualmente impulsionado pela minha esposa, fui atrás desse sonho de criança e estabeleci contacto com o mundo do ilusionismo, onde consegui entrar em 1997, data a partir da qual passei a conviver com esses “monstros da magia” que passaram a ser amigos.
Por último, a ciência. Também esta é uma paixão desde criança, que me fazia dizer querer ser astrofísico quando olhava, extasiado, as estrelas numa noite de verão (recordo que nos distantes anos de finais da década de 60, inícios de 70, havia muito pouca poluição luminosa, que nos permitia ver um céu que hoje raramente se avista). Só que, nesse tempo, a astronomia era praticamente inexistente em Portugal, pelo que a minha professora de Física e Química, logo no 7.º ano, me aliciou para a Química. Esta passou a ser o meu novo objetivo, que atingi em 1988 (ano da minha licenciatura).

Estas três vertentes sempre me fascinaram, sendo por isso natural o percurso que segui e a que chamei de “Ciência, Magia e Livros”. Naturalmente que o ilusionismo poderá ser o elemento central, de ligação entre todos, mas apenas por ser diferenciador do que os demais oferecem – uns ilustram, outros cantam, pintam, teatralizam… com a magia, eu encanto! (risos). No entanto, poderei concluir dizendo que é com a Ciência que mais me identifico!

 

 

Entre os livros publicados, “Mestre Carbono, o Cientista” mereceu destaque na revista da Sociedade Portuguesa de Química e fez parte do Plano Nacional de Leitura, em 2017-2018, na área de Apoio a Projetos Temas Científicos, tendo sido adotada em algumas escolas como obra de leitura obrigatória. Este foi para si um casamento perfeito entre a sua formação específica e a paixão pela escrita. Como e quando foi que a escrita começou para si?

“Mestre Carbono, o Cientista” de Filipe L. S. Monteiro

É verdade! “Mestre Carbono, o Cientista” é, ainda hoje, o livro de que mais me orgulho.

E já agora, uma pequena atualização: ele continua no PNL 2027! Neste livro, usei os meus conhecimentos científicos, mais especificamente na área da Química, para abordar um tema que continua muito atual, infelizmente não pelas melhores razões.

“Mestre Carbono, o Cientista” tem por missão alertar para a crise ambiental que estamos a viver (hoje já apelidada de “emergência ambiental”), levando esta mensagem até ao seu principal público-alvo – as crianças nas escolas, pois é a elas que pertence o futuro.

O livro foi escrito em 2011-2012, quando a grande maioria das pessoas ainda não prestava atenção ao grave problema que já se começava a manifestar (os cientistas não chegavam ao grande público nem eram devidamente ouvidos pela classe política, mais atenta ao discurso e necessidades dos homens do dinheiro), assistindo nós a uma escalada na poluição ambiental a todos os títulos catastrófica.

Mas o livro procura também “alterar paradigmas”, lutando contra a ideia generalizada de que a grande responsável por esta situação é a Química (e os seus produtos), esquecendo-se todos do nosso papel nestes problemas.

É ao uso abusivo e falta de civismo das pessoas que deveremos responsabilizar.

É mais confortável apontarmos o dedo aos produtos químicos, esquecendo-nos que TUDO é Química – a Natureza, o Universo… e todos nós!

 

Tem escrito e publicado livros infantis, porquê escolheu escrever para as crianças?

Na verdade, o primeiro livro que escrevi foi o romance “O segredo dos Candeeiros” (alterado na segunda edição para “O segredo da Serra dos Candeeiros”, para melhor contextualização). Nessa altura, estava muito longe de imaginar que alguma vez iria fazê-lo para as crianças.

Foi durante um almoço com o meu irmão e a família dele (por parte da minha cunhada), que a sua sobrinha Ana Beatriz Marques (na altura ainda a tirar o curso de Arte e Design, em Coimbra), confessou que o seu sonho era o de ilustrar livros infantis. Este “desabafo” fez-me lançar-lhe um desafio: eu iria escrever um livro e ela faria a sua ilustração.

Abriu-se assim o caminho para “O menino que sonhava salvar o mundo”, agora em oitava edição, para “Mestre carbono, o cientista” (presentemente na quarta edição) e ainda para “O brinquedo que estava esquecido”, todos eles ilustrados pela Ana Beatriz.

 

Também escreve ficção, fale-nos um pouco sobre a motivação que o levou a escrever o seu primeiro romance “O Segredo dos Candeeiros” e quais os projetos futuros nesta vertente?

Como referi anteriormente, o primeiro livro escrito foi este romance, na altura sem qualquer ambição de o ver publicado um dia.
Escrevi-o “para mim”, um livro à minha medida. Uma aventura de ação, com muito suspense, puramente ficcionado mas assente em possibilidades científicas. Aliás, terminei-o em 2009 mas só o publiquei em 2014…
Nesse hiato de tempo, escrevi um segundo romance, também terminado há alguns anos e que ainda não pensei publicar. Verá o seu tempo chegar, um dia… Sobre o futuro, confesso que me atrai imenso escrever este género de “livros de aventura para crescidos”, quiçá policiais (outro género que também aprecio), mas não tenho pensado muito no tema, ultimamente, com os demais projetos que fomos desenvolvendo (como “A Química do Amor”, por exemplo). Veremos o que o futuro nos reserva…

 

Filipe L. S. Monteiro, em que consiste o projeto “Química do Amor”?

“A Química do Amor” não é um livro… pelo menos por enquanto, pois já tivemos a ideia de, um dia, o escrever!

Por agora é uma “espécie de palestra”, onde falamos dos principais compostos químicos que atuam nas diferentes fases do amor: da paixão ao enamoramento e deste ao casamento, mas ficamos também a perceber porque algumas pessoas são mais fiéis que outras, ou porque estamos “condenados” a viver no casamento a (tristemente) famosa crise dos sete anos.

Vemos ainda se realmente existe o “amor à primeira vista” e abordamos alguns distúrbios relacionados com este sentimento.

Quando temos tempo, mostramos ainda alguns estudos matemáticos que deram origem a equações que analisam a durabilidade de uma relação ou a sua evolução no tempo… Tudo sempre acompanhado por momentos de pura magia!

 

 Química do Amor - Palestra em Trancoso
Química do Amor – Palestra em Trancoso

 

Como define o seu estilo de escrita? Onde se inspira? Como é o seu processo de escrita, como passa da pesquisa para a escrita?

Penso ter uma escrita algo versátil, provavelmente pelo gosto eclético que me faz ler e beber influências de variados autores.

Todos os meus quatro livros publicados são distintos entre si. Pela ordem cronológica: o primeiro, infantil (“O menino que sonhava salvar o mundo”), conta a história de um menino que inventa os seus jogos, brincando com a imaginação. No segundo, o romance (“O segredo da Serra dos Candeeiros”), acompanhamos a aventura de uma família pelas grutas de Mira d’Aire e Candeeiros, numa corrida contra o tempo e contra uma sinistra Organização, pela decifração de misteriosos achados que revelam a forma de poder controlar o clima, a inclinação da Terra e a sua velocidade de rotação. O terceiro, “Mestre carbono, o cientista”, aborda a temática das alterações climáticas e do aquecimento global, mostrando que a Química não é a causa mas faz parte da solução. Por último, o quarto livro, igualmente infantojuvenil (“O brinquedo que estava esquecido”), conta-nos a história de um camião, desde a presença na prateleira de um shopping até ser escolhido para brinquedo de um menino com quem partilha momentos de pura felicidade, mas que, com o passar do tempo, se vê “arredado” para o baú do esquecimento. Uma bonita estória que realça o valor da amizade, mas também da importância de ensinarmos as nossas crianças a partilharem os seus brinquedos com que já não brincam mais!

Curiosamente, só algum tempo depois de ter saído o quarto livro, é que alguém me fez notar que, em todos eles, há uma ideia comum – a ideia de salvar o mundo. Achei curioso, pois nem eu próprio tinha pensado / reparado nisso!

A inspiração vem das nossas vivências mas, principalmente, de sugestões dadas pela minha esposa, Maria José Alves.

Depois de ter escrito “O menino…”, inspirado na minha própria infância (o romance, primeiro a ser escrito, surgiu a partir de umas férias que proporcionámos aos nossos sobrinhos com 10 e 12 anos, também eles personagens da obra mas ficcionados em pessoas adultas, e que acabou por adquirir “vida própria” à medida que a trama ia surgindo), foi ela quem deu os tópicos quer para o livro do Mestre Carbono, quer para a estória de O Brinquedo (o camião existe mesmo e estava realmente esquecido numa arca, em nossa casa)…

Quando queremos que os nossos livros tenham algum fundamento científico, mesmo sendo de ficção, há que ter cuidados acrescidos com o modo como elaboramos a narrativa. É verdade que a minha formação me permitiu, por exemplo, escrever Mestre Carbono com os conhecimentos que possuo, também isso me deu uma responsabilidade acrescida para não incorrer em erros ou informações falsas, para além de termos sempre que nos manter atualizados.

Dou dois exemplos: numa das passagens do meu livro, escrevo assim, na introdução dos átomos quando surgem dos seus frascos, no laboratório:
“Este [Mestre Carbono] era um elemento robusto, forte e duro como o diamante, e que ostentava um enorme bigode desenhado a grafite. Junto a ele estava um Hidrogénio, o elemento mais leve de todos eles e talvez o com maior genica, sempre volátil nas suas reações. (…) Seguiu-se-lhes ainda um Azoto, transfigurado em Nitrogénio pelas novas designações atómicas.” (in “Mestre Carbono, o cientista”, pág. 21).
Efetivamente, o elemento químico nitrogénio, quando era estudante, tinha ainda o nome de azoto (e muita gente ainda hoje lhe chama assim). Contudo, no livro, esta informação teria que obedecer já ao estipulado pelo organismo internacional que coordena a nomenclatura química (e que a Sociedade Portuguesa de Química adota para Portugal), apelidando-o pelo nome atualizado – nitrogénio e não azoto.
Um segundo exemplo, mais caricato mas que se encontra em alguns livros presentes no mercado, apresento-o citando o nosso (português) cientista polar e meu amigo pessoal, José Carlos Caetano Xavier. Ele, sempre que vai a escolas falar do seu trabalho na Antártida, coloca a seguinte questão aos alunos:

“Sabem porque é que os ursos polares não comem pinguins?”

Curiosamente, grande parte das vezes os interlocutores não lhe sabem responder. E a explicação é, simplesmente, porque os ursos vivem no Polo Norte enquanto os pinguins vivem no Polo Sul. No entanto, encontramos vários livros onde, nas suas ilustrações, vemos pinguins junto de ursos polares. Estes “factos errados” devem ser evitados a todo o custo, e isso obriga a grandes cuidados e trabalho de pesquisa. E todos sabemos que, mesmo assim, as falhas acontecem…

 

Filipe L. S. Monteiro, do seu primeiro livro até ao último o que mudou no seu processo de escrita ao longo dos anos?

Penso ter amadurecido um pouco mais, nomeadamente no estabelecimento de objetivos. Se o primeiro livro foi escrito para cumprir um sonho – que era escrever um livro, não necessariamente publicá-lo –, com o Mestre Carbono já procurei introduzir conceitos científicos e ideias úteis, informações que considerava importantes transmitir, nomeadamente com o intuito de alertar nas camadas mais jovens, da importância de cuidarmos do Meio Ambiente sem o que nós não teremos condições de continuidade enquanto espécie.

Naturalmente que vou querer continuar a escrever livros com aventuras; estou precisamente a dar início aos primeiros dois livros de uma coleção (“As aventuras do mágico Phil”), também para o infantojuvenil, onde acompanharemos as aventuras de um jovem adolescente (13 anos) que tem uma enorme paixão pelo ilusionismo (porque será?), e que irá viver várias aventuras ao longo da sua vida – a primeira decorre em Odeceixe, quando vai de férias ter com uns primos; a segunda será com a família, por ocasião do Natal… e em que os perigos em que ele e os amigos se veem envolvidos, são ultrapassados com o nosso herói a recorrer a alguns truques de ilusionismo que os ajudam a ultrapassá-los. Na verdade, será mais uma coleção a relembrar os famosos “Cinco”, da Enid Blyton, isto porque o que tenho lido neste género (e continuo fã dos “Cinco”!) tem deixado um pequeno “amargo de boca”.

Com efeito, nas várias leituras que fui fazendo a muitos livros, tenho sentido que estão muito aquém do suspense, da ação e do mistério que a Enid Blyton conseguiu sempre transmitir-me em cada um dos seus livros. Mas, claro, tenho também ideias para escrever mais livros à imagem do Mestre Carbono – livros que falarão e abordarão ciência, com o foco no mundo infantojuvenil.

Quiçá, o livro sobre “A Química do Amor”?

 

Como descobre o gosto pelo ilusionismo? O que é para si o ilusionismo?

Como já referi atrás, esse gosto vem já da infância, do fascínio que era ver o impossível tornado realidade perante o meu olhar atento (e atónito). E essa é, para mim, a essência do ilusionismo. Não é por um efeito ser muito complexo ou demasiado difícil de executar que o torna num excelente truque;

a verdadeira magia está no seu executante, quando consegue transportar a sua audiência para o mundo da imaginação, o mundo onde, naqueles momentos, nos esquecemos da dura realidade que nos aguarda no exterior, nos abstraímos dos problemas do dia-a-dia e em que, pelo menos durante esses instantes, nos sentimos levados para um outro mundo – o da ilusão.

 

Numa definição mais engraçada, costumo dizer que o ilusionismo é a única arte onde as pessoas melhor nos pagam e mais aplaudem em função do quão melhor as conseguimos enganar!

 

Como divulga a sua arte do ilusionismo?

Tenho um sítio na internet e duas páginas do facebook. Mas, claro, os meus melhores promotores são as pessoas que vão assistindo aos espetáculos, e que vão transmitindo aos amigos e colegas. Também o facto de sempre utilizar o ilusionismo em todas as nossas atividades (o plural é porque, nestes projetos, a Maria José é parte integrante da equipa e sempre me acompanha na sua realização. O elemento-chave que está por detrás da cortina mas sem o qual a magia podia não funcionar…), acaba por ser um portal de divulgação muito poderoso. E porque já não temos mãos a medir, nunca sentimos necessidade de apostar num Agente, figura que recomendo a todos quantos queiram viver profissionalmente do ilusionismo…

 

Sendo licenciado em química tem, com toda a certeza, gosto pelas transformações químicas que ocorrem no nosso organismo e um pouco por toda a parte. Como liga este conhecimento científico da química com o ilusionismo e com a sua atividade de divulgação da cultura?

Num casamento perfeito a que chamámos de “Ciência Mágica” ou “Magia com Ciência”. Efetivamente, TUDO é Química e o facto de irmos desvendando os segredos da vida, as reações e elementos químicos responsáveis pelo funcionamento da Natureza e do Universo, continua a provocar-me um enorme fascínio.

 

Poder usar o ilusionismo para cativar o público para a comunicação da ciência, é um privilégio que não poderia desperdiçar.
Foi assim que criámos o projeto a que chamámos “FMJ Mentes Mágicas” (FMJ vem de Filipe Monteiro e Maria José – o ‘M’ é o elemento que nos une, tal como o nosso Matrimónio!), e que tanto apresentamos nas Oficinas de Ciência Mágica como (mais frequentemente solicitado) no Espetáculo de Ciência e Magia.
Naturalmente que acabamos por “misturar” todos estes elementos; por exemplo, nas apresentações de cada um dos livros, há momentos diferenciadores de ilusionismo – desde a magia da pura ilusão para os livros de “O menino que sonhava salvar o mundo” e “O brinquedo que estava esquecido”, aos efeitos mais misteriosos em “O segredo da Serra dos Candeeiros”, concluindo com alguns efeitos de ciência mágica no livro (por ser mais evidentemente científico) “Mestre Carbono, o cientista”. Mas onde isto é mais evidenciado é

na palestra “A Química do Amor”, onde apresento durante 90 a 100 minutos muita informação científica, incluindo fórmulas químicas e as suas funções no organismo, sem que em algum momento os alunos manifestem sinais de cansaço ou enfado. E isto porque vou entremeando com efeitos de ilusionismo e que até não são baseados em reações químicas, como poderiam pensar.

Muitos são verdadeiros “truques de magia”, mas é a ligação que deles fazemos ao tema em explanação, que promove esse encanto e faz com que ninguém arrede pé durante todos aqueles minutos.

 

Filipe L. S. Monteiro -2020.01.17_Espectáculo Ciência_Estaleiro_Ílhavo

Procurem apresentar fórmulas e compostos químicos num quadro durante mais de 30 minutos, e confirmem, num auditório com 150 pessoas, quantas estão efetivamente a ouvir-vos…

Ali, estão todos atentos!

O recurso ao ilusionismo como método não formal do ensino da ciência, teve grande impacto, por exemplo, na promoção do Curso de Química que fomos fazer, junto com o Grupo de Químicos Jovens da Sociedade Portuguesa de Química, em várias escolas do país, depois de se assistir a uma ausência de procura destes cursos pelos alunos que entravam no Ensino Superior. E que levou a que o Diretor do Departamento de Química nos solicitar colaboração para o continuarmos a fazer no futuro!

Este “casamento” da ciência com a magia até já conquistou um prémio no VII Encontro da Divisão de Ensino e Divulgação da Química, promovido pela SPQ, em 2018, pelo interesse e diferenciação das nossas sessões.

 

 

Realiza diversas oficinas na esfera da ciência. A quem se dirigem, qual o principal objetivo e como podem os interessados inscrever-se para participar?

Sim, já realizámos várias Oficinas de Ciência Mágica em diversos locais, desde Escolas (Gafanha da Nazaré; Escola de Ciência Viva de Vila Nova da Barquinha…) até Centros de Ciência (Fábrica Centro de Ciência Viva de Aveiro, Centro Integrado de Educação em Ciências, em Vila Nova da Barquinha…). O público-alvo são as crianças entre os 7 e os 15 anos (para os mais crescidos, funciona melhor o Espetáculo). Podemos levar estas ações a qualquer local, desde escolas, centros de ciência, municípios, bastando para tal que nos contactem a solicitar orçamento. Presentemente, estamos a estabelecer protocolos com a Câmara Municipal de Ílhavo, para levarmos alguns destes projetos até ao Estaleiro, Estação de Ciência de Ílhavo (que foi inaugurado em janeiro de 2020 em que contou com dois espetáculos nossos, de Ciência e Magia). Será uma questão de se irem mantendo atentos às nossas páginas ou subscreverem a Newsletter, no nosso site abaixo indicado…
Filipe L. S. Monteiro -2020.01.17_Espectáculo Ciência_Estaleiro_Ílhavo
Filipe L. S. Monteiro, “Podemos levar estas ações a qualquer local, desde escolas, centros de ciência, municípios ..”

 

Filipe L. S. Monteiro, este espaço é seu, que mensagem ou o que mais quer transmitir a quem nos lê?

O texto já vai longo e já foi quase tudo dito. No entanto, não quero desperdiçar a oportunidade de reforçar a importância da leitura na formação de melhores seres humanos, mais cultos e atentos.

Também a importância da ciência e da sua comunicação, como forma de promover e assegurar uma sociedade mais justa e capaz. Não podemos deixar que as pseudociências ou os movimentos negacionistas assumam destaque ou grande relevo, pois podem causar danos irreparáveis.

 

Veja-se o caso do movimento “anti vacinas”, que teve origem a partir de um estudo, (posteriormente desmentido, mas já demasiado tarde! O ponto de partida estava dado…) de um médico britânico (Andrew Wakefield, em 1998), onde referia que as vacinas seriam responsáveis pelo autismo. O facto é que, mesmo tendo sido provado ser uma “fraude científica”, esta inverdade espalhou-se como certa e já trouxe consequências graves, como o reaparecimento de doenças como o sarampo, que havia sido considerado “doença controlada”, e que, entretanto, neste seu ressurgimento, já provocou a morte a mais de 140 mil pessoas só em 2018, na sua maioria bebés (fonte: observador.pt, notícia de 05 Dez 2019, 18:02), por proliferação do vírus a partir das pessoas não vacinadas.

E não podemos esquecer do perigo que representa para o futuro de toda a Humanidade, as mensagens e comportamentos de pessoas de enorme poder e influência, como Donald Trump, quando negam as alterações climáticas…

Como mensagem final: apelo a todos para sempre confiarem na CIÊNCIA. Mesmo com os seus erros e enganos, tem sido com a ciência que a Humanidade tem conseguido os seus maiores feitos, as suas maiores conquistas e, em última análise, só com a CIÊNCIA se poderá assegurar a nossa sobrevivência!

 

 

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