À conversa com João Pedro Marques, artista plástico

João Pedro Marques Artista Plástico

João Pedro Marques é um jovem artista plástico, numa conversa informal fala-nos da sua forma particular de exprimir emoções pela arte. Um percurso que se inicia na poesia, na música e passa à representação de imagens mais simbólicas desenhadas e pintadas no papel e tela, seguindo um percurso de pesquisa, estudo, experimentação e muito trabalho que o levam ao expressionismo abstracto/informalismo com influências surrealistas e neo-expressionistas, muito influenciado pela filosofia e psicologia, no meu próprio empirismo.

 

Somos afectos. Afectos são emoções e sentimentos. Vejo a arte como uma expressão destes e sem estes não existe arte.

Sendo eu formado em Psicologia, procuro expressar emoções próprias e também possibilitar a livre expressão e interpretação do público observador.

Gosto de pintura/arte visceral, que crie impacto emocional no observador e transmita algo

João Pedro Marques, quando e como surge o gosto para a expressão por meio da arte, nomeadamente pela pintura?

Olá.
Despertei interesse pela pintura em finais de 2009, depois de já escrever alguns poemas e letras para música.  Habitualmente, quando escrevia surgiam-me imagens na mente, baseadas em conceitos simbólicos e filosóficos que eu poderia usar num papel ou tela. Comecei então a pintar imagens mais simbólicas como nas obras “O Espantalho” e a “Tempestade Existencial”. Aos poucos comecei a explorar uma linha mais geométrica, mais tarde e presentemente, um expressionismo abstracto/informalismo com influências surrealistas e neo-expressionistas, muito influenciado pela filosofia e psicologia, no meu próprio empirismo.

 

Fez alguma formação específica ou é um autodidata? Fale-nos um pouco do seu percurso como artista?

Sou autodidata. Não tenho qualquer formação de artes desde que terminei o ensino básico do 9º ano de escolaridade. O meu percurso baseou-se na experimentação e autodescoberta. Durante os primeiros tempos comprei livros sobre pinturas contemporânea, expressionismo abstracto, cubismo, surrealismo… observei vídeos e li matérias.

Em 2012 concorri a um concurso em Itália, mais precisamente em GaetArt 2012. Ganhei o concurso na secção de pinturas, sem nunca ter concorrido anteriormente nem ter exposto as minhas obras.

Foi também através do Facebook que comecei a publicar as minhas obras e conheci mais artistas plásticos. Comecei tanto a expôr a nível internacional como em exposições e concursos em Itália e expondo também em solo português. Mais tarde, em 2017, entrei no movimento internacional de arte Neutral-ism Art Movement, sendo o representante português do movimento o que me possibilitou expor internacionalmente. Neste momento, encontro-me a criar e a explorar algumas novas técnicas na minha expressão e disponível para novas oportunidades.

 

Quem são os artistas da atualidade, ou não, que mais o influenciam e inspiram?

Sou um pouco suspeito nesta resposta.  Actualmente, não sigo muitos artistas.

Gosto muito de surrealismo e Neo-expressionismo, gosto de ver génio quando observo uma obra de arte, para além do conceito ou estética em si. Gosto de pintura/arte visceral, que crie impacto emocional no observador e transmita algo, como em Francis Bacon, Beksinski, Pollock, Salvador Dali, Picasso, Giorgio de Chirico, Emilio Vedova, Bosch, Munch, entre outros. Portugueses gosto da expressividade de Vítor Pomar, Paula rego e de Cruzeiro Seixas.

 

Em muitas das suas obras vemos cores fortes que se misturam com resultados muito expressivos, que falar-nos um pouco do seu estilo de pintura? Quais as técnicas e materiais que mais gosta de utilizar nas suas obras?

Deixo os gestos das pinceladas ou da espátula fluíremUso habitualmente tinta acrílica, tinta de esmalte e spray. Habitualmente o suporte é Tela, apesar de também explorar em papel e cartolina. O meu estilo insere-se tal como referido anteriormente, num expressionismo abstracto ou informalismo com outras influências. Sendo eu formado em Psicologia, procuro expressar emoções próprias e também possibilitar a livre expressão e interpretação do público observador. Normalmente opto por um “abstracto fluído” ou “fluid abstract colours” como já li algures, mas, costumo organizar e tender para a intencionalidade na imagética. Normalmente as pessoas costumam “ver” objectos, formas, animais… nos meus quadros sem estes estarem referido na sua realidade mais objectiva. Isto acontece devido aos processos psicológicos de Projecção e Percepção.
Quanto às cores, costumo usar core quentes e frias, por vezes algumas mais neutras. Admito, chego nem a pensar realmente nas cores que uso… Já é um processo automático.

 

Como é o seu processo de criação? Começa com uma ideia, uma imagem, um movimento. Há um esquema ou é algo que vai surgindo aos poucos?

O meu processo criativo surge de forma inata. Ou seja, não é “consciente”, mas sim muito intuitivo e irracional.

Deixo os gestos das pinceladas ou da espátula fluírem, juntamente com água e a mistura de tintas (tinta acrílica, spray e esmalte).  Parte dos efeitos e da imagética surgem através deste fluir muito natural. É a primeira fase. É fase do Caos.

A segunda fase, é a fase da Ordem, onde a intencionalidade racional serve de distinção às formas, objectos e conduz aos significados. Podemos dizer que sigo o meu próprio padrão e os significados surgem aos poucos. Como é uma imagem abstracta, poderá sempre ter várias interpretações para o público.

O que poderá definir a obra e o seu significado é o título que lhe é inserido.

 

Com a sua arte quer transmitir alguma mensagem e uma visão particular sobre o que o inspira?

Somos afectos. Afectos são emoções e sentimentos. Vejo a arte como uma expressão destes e sem estes não existe arte.

Até mesmo uma simples fotografia irá transparecer parte do fotógrafo, como os motivos e a intencionalidade em ter fotografado determinado objecto inserido em determinado ambiente e condições.

A arte é um espelho do ser humano. Quanto ao que quero transmitir na minha arte, penso que seja um libertação da minha criatividade e expressão. Como algo catártico, um escape ao mundo mundano e caótico do qual faço parte e pelo qual também sou influenciado.

Tendo em conta esta óptica, todos somos possíveis artistas expressivos que poderão aprender a criar arte ao possibilitarem a sua expressão.

 

João Pedro Marques, já expôs as suas obras? Como faz a sua divulgação?

Sim, já expus. Normalmente uso o facebook como ferramenta de conhecimento de artistas, galerias, exposições, concursos. Envio mais tarde emails às entidades e por vezes sou também convidado a expôr. Também já tomei iniciativa em expôr em galerias, cafés e bares ou mesmo galerias online. Por vezes conhecemos artistas que nos convidam a expôr em regime colectivo. Acho que funciona muito num conceito de “bola de neve” e de “passa a palavra”. Surgem oportunidades e devem ser bem aproveitadas.

 

Considera que no panorama cultural atual, com tantos artistas que procuram afirmar-se, é fácil fazer este percurso e ocupar o seu próprio espaço e afirmando-se no mundo da arte?

Não, não é fácil. Há muitos artistas que são ou não valorizados pelas entidades, temos portanto um processos extremamente burocrático no meio português. Penso que a única forma é como diz um artista amigo meu “Trabalho, tem muito trabalho.” Esta frase revela que para além do talento do próprio artista é necessário este trabalhar tanto a nível criativo com qualidade, como ser resiliente ao procurar sempre novas oportunidades. Contudo, pode ser que neste processo, surgem indivíduos interessados em promover, publicar e comprar a nossa arte, como galeristas, curadores e clientes ou colecionadores.

Situamo-nos no mar das oportunidades, navegando por vezes à nora com a Fé de encontrar um bom porto, para a nossa oportunidade de afirmação.

João Pedro Marques, o que sente que falta fazer para apoiar os artistas e para incentivar o gosto do público pela arte e pelo consumo de peças de arte?

Parte da educação artística para o público em si e da economia também.

O mundo artístico por vezes é extremamente elitista e nem todos conseguem ter este acesso. Para além de nem todo o público ter a capacidade de gostar de arte.

Por norma, conheço pessoas que querem entender uma obra de arte e este entendimento baseia-se naquilo que as pessoas em si conhecem ou sabem. Por exemplo, é talvez mais explicito o público no geral entender uma pintura realista do que uma pintura abstracta ou uma instalação de arte conceptual. Contudo, em Portugal o ensino de artes e a divulgação artística podia ser mais activa na sua promoção. É necessário criar mais concursos e exposições nacionais, na procura também de novos talentos, temos imensos artistas de garagem ou de sótão desconhecido à procura de uma oportunidade de exporem e confraternizar com alguns artistas de renome. Por outro lado, também se poderia criar disciplinas de expressão artística, como escape e de desenvolvimento criativo. É necessário um maior investimento do estado e do sector privado para que exista potencial expositivo e de consumo.

 

Quais os seus planos ou projetos futuros?

Os meus planos são: Desenvolver mais e melhor a minha expressão artística, expôr mais e se possível, ter um público que consuma as minhas obras. Um dar e receber fácil.

 

Este espaço é seu, quer dizer algo que ficou por dizer ou simplesmente deixar alguma mensagem aos jovens futuros artistas ou ao público em geral?

Aos jovens futuros artistas digo que peguem em todas as vossas experiências, momentos, mágoas…. e usem como vossa expressão artística. Esse é o vosso verdadeiro potencial criativo e artístico.
É nos vossos quartos, garagens, sótãos ou mesmo na rua que o vosso potencial é libertado e se irá desenvolver. Não desistem, certamente precisarão de ser resilientes nesta vossa possível jornada, entre pinceladas, derrames de tinta, traços definidos, reproduções realistas, o bater de portas fechadas e outras que se abrem e ficarão boquiabertos.

Não procurem aqueles que vos entendem, procurem e agradeçam humildemente a aqueles que gostam de vós. Porque entender-vos, estes serão raros e só aqueles que gostarão de vocês vos poderão ajudar.

Quanto a mim, continuo a pintar neste momento numa garagem, num atelier parecido ao de Francis Bacon mas com outro charme. Certamente, não serei muito diferente de vós.

Quanto ao público em geral, chamo-me João Pedro Marques, nascido em 1988, sou um artista autodidacta e espero que depois de ler esta entrevista fiquem certamente curiosos em observar mais as minhas obras, blog ou mesmo facebook.

Obrigado pela oportunidade desta entrevista e até sempre!
João Pedro Marques.

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