À conversa com Filomena e João – projeto Hortas Ecológicas

A importâncias das hortas ecológicas na alimentação, na saúde e bem-estar.

A consciencialização do papel da alimentação na saúde e bem-estar de cada um de nós tem vindo a crescer. Durante anos praticou-se uma agricultura intensiva com a utilização de adubos e pesticidas prejudiciais ao ambiente e à saúde. As consequências desta prática são conhecidas e sentidas um pouco por toda a parte, com consequências devastadoras nas alterações climáticas, na preservação dos ecossistemas e da vida nas suas diferentes formas.

Cientes desta realidade e porque queremos ser parte ativa numa alteração urgente e imprescindível na forma de vida, pedimos a Filomena e João que dão vida a um projeto as Hortas Ecológicas, para nos falarem sobre o projeto e para nos darem algumas dicas úteis. São ideias para todos, aceite os desafios aprendendo a “trabalhar com a natureza e não contra ela“.

………………………………………………..Joaninha nas hortas ecológicas

 

Um sistema de agricultura para o futuro
.
Em primeiro lugar gostaríamos que se apresentassem aos nossos leitores.

Filomena Aivado, licenciada em História, hortelã biológica, apaixonada pela Natureza e etnobotânica

João Santos, técnico agrícola, hortelão biológico, militante ecologista e pacifista de longa data, formador em Horticultura Biológica

 
Como nasceu a ideia da criação deste projeto – Hortas Ecológicas? O que os motivou?

Nem sempre é uma boa ideia os membros de um casal trabalharem juntos mas, no nosso caso, pensamos formar uma boa equipa. Gostamos de trabalhar juntos e juntos concebemos este projeto que nasceu da vontade de nos dedicarmos a algo que não fosse um mero trabalho mas um reflexo da nossa forma de estar na vida.

As Hortas Ecológicas nasceram do propósito de transmitir conhecimento e experiência a pequenos hortelões amadores e demais apaixonados pela natureza e autossuficência alimentar.

Já tínhamos uma horta que abastecia as nossas necessidades. A ideia foi amadurecendo e foi ainda mais motivada pela possibilidade de podermos fazer divulgação ambiental, em contexto de horta, para crianças.

Escola Os Aprendizes: Em dia de pijama na escola, colheita de alfaces na horta para a venda de angariação de fundos para a Operação Nariz Vermelho

Desenvolvemos projetos em escolas, com autarquias, associações, ong´s, fazemos aconselhamento ao domicílio e instalação de hortas ecológicas, trabalhamos com empresas e vamos iniciar uma nova etapa, com projetos de experimentação aplicada em agroecolgia, na nossa nova horta que vai ser instalada na Quinta das Sobralas, em Paiões (concelho de Sintra). Nesse espaço vamos também desenvolver parte dos nossos workshops, com adultos e crianças.

………..Na escola Os Aprendizes, em Cascais: Preparando o milho – cultivado na horta – para as pipocas
.
Sendo peritos na matéria, podem-nos falar um pouco da importância da Biodiversidade no ecossistema agrícola?

Peritos não, aprendizes, eternos aprendizes.

Para nós o importante é trabalhar com a Natureza e não contra ela.

As ervas não são daninhas ou os bichos que se alimentam das nossas culturas pragas, todos têm o seu papel, nós é que lhes chamamos assim porque os encaramos como concorrentes. Ora as ervas daninhas não só poderão fornecer-nos alimento, porque algumas são comestíveis, como contribuem para enriquecer e proteger o solo. A biodiversidade é a base de tudo no ecossistema, mesmo o agrícola. Nem sempre é bem entendida e levada à prática até por quem faz agricultura biológica. Por vezes há a tentação em entender que fazer agricultura biológica é somente substituir uns produtos, agressivos ou tóxicos, por outros mais amigos do ambiente.

Só para perceber da importância da biodiversidade nas hortas e nos campos, podemos dar o nosso exemplo: a nossa horta foi planeada no sentido de preservarmos ao máximo a vegetação já existente. Assim, para que silvas, heras, madressilvas, roseiras e outras plantas de baixo porte que cresciam de forma selvagem pudessem prosperar e termos uma horta produtiva, foi somente necessário controlar esta vegetação. Por outro lado, criaram-se faixas biodiversas silvestres dentro da horta e o solo só era mobilizado se fosse para albergar uma cultura. Desta forma muitas espécies de insetos, répteis, pássaros e até batráquios se instalaram. Ao longo do tempo verificou-se uma diminuição dos “ataques” de, entre outros, lagartas, afídeos, lesmas e caracóis e… há sempre muitas flores à disposição dos polinizadores.

 

..Orquídea selvagem: quando se deixam faixas de vegetação silvestre na horta há surpresas destas!
.
A consciencialização da sociedade sobre as práticas agrícolas e os métodos de produção alimentar têm aumentado. No vosso ponto de vista, porque que razão isto está a acontecer?

Pensamos que há uma maior e melhor informação sobre o assunto bem como preocupações de natureza ética e com a nossa saúde e a do planeta, o que leva as pessoas a tomarem decisões. É por demais evidente que a degradação do ambiente atingiu proporções tais que ameaça toda a biodiversidade e a própria espécie humana.

.
Quais as vantagens próprias de uma agricultura biológica?

Inúmeras: preservação dos solos, das águas, do ar, contributo no combate às alterações climáticas, preservação da biodiversidade e uma melhoria na nossa saúde e qualidade de vida.

Para aqueles que só se preocupam com números, seria bom que refletissem sobre a enorme poupança que haveria a nível de gastos no setor da Saúde. Mas não basta ser de agricultura biológica, é preciso ir mais longe. Por exemplo: consumir sobretudo produtos locais e da época. E de que adianta consumir produtos biológicos se eles forem a causa de uma devastação ambiental como é o caso da produção de óleo de palma?

.
Equilíbrio ecológico é condição fundamental para a sustentabilidade dos sistemas ao longo do tempo e para a preservação da vida humana. Nos vossos workshops e atividades em escolas e Atl’s este, é um dos temas abordados?

Sem dúvida que este é o tema principal. É a matriz de tudo e não há volta a dar.

 

.Podas e Enxertias em Agricultura Biológica, com José Raul Ribeiro, em LaQuinta Subserra, Alhandra
.
Qual o vosso objetivo específico na realização das atividades em escolas? Acreditam que educar logo de pequenino potencia o conhecimento com base no triângulo planta-solo-ambiente e formam-se homens mais conscientes nas relações com o ambiente? Como tem sido a reação dos mais jovens?

As crianças são o futuro e o objetivo é dar-lhes ferramentas para a vida a partir da experiência agroecológica. Quanto mais cedo melhor. Acreditamos que com o nosso trabalho estamos a ajudar pessoas a serem cidadãos responsáveis, críticos, respeitadores da vida nas suas diversas dimensões: ambiental, social, ética… Como a abordagem é sempre numa dinâmica lúdica, a reação é maioritariamente positiva. Temos até casos de crianças que após terem recebido conhecimentos de agroecologia e como cultivar uma horta começaram a desenvolver as suas próprias hortas e tudo em autogestão cooperativa.

……………………………..Flores comestíveis: workshop para crianças, no Mercado Natura, Lourel, Sintra
.
Falem-nos dos workshops que têm realizado. A quem se destinam e quais os seus objetivos? Do ponto de vista prático, mostram como produzir em agricultura biológica?

O nosso público-alvo são pessoas que não têm experiência ou têm poucos conhecimentos nesta matéria ou, até, aqueles que se dedicam à agricultura química e querem reconverter o seu modo de produção. Os nossos workshops e formações têm uma função eminentemente prática, isso é essencial.

.
Quais as principais dificuldades no desenvolvimento da vossa atividade?

Mais que dificuldades, preferimos falar em desafios.

Por exemplo, a menorização/desvalorização do trabalho agrícola, que ainda é uma realidade, por vezes até da parte da família e amigos.

É engraçado verificar como vai mudando a forma de encararem o nosso trabalho. Somos confrontados com o facto de que muitas pessoas, embora não queiram usar químicos, querem ter uma horta “limpinha”, sem ervas nem lagartas ou outros bichos. Por outro lado, na formação de hortas urbanas camarárias, encontramos pessoas por vezes com mais de duas ou três décadas de agricultura química e de formas de trabalhar o solo que contribuem grandemente para a sua degradação e que entendem que já não têm nada a aprender.

É extremamente desafiante e recompensador poder mostrar-lhes que existem outras soluções.

………….   .Aconselhamento em Queluz, para recuperação do terreno de um quintal
.
Qual ou quais os próximos eventos/workshops públicos que irão realizar? Quem tiver interesse em participar como se pode inscrever?
  1. Sunset Hortas Ecológicas Flores Comestíveis, das 18:00 às 20:00, em Lisboa (Lumiar), no dia 26 de Junho,  e Lourel (Sintra), a 13 de Julho. Podem solicitar-nos a ficha de inscrição através da nossa página de Facebook ou do email insc.hortaseco@gmail.com
  2. Passeio de identificação de plantas silvestres comestíveis, com degustação e confeção de “pestos” de diferentes ervas silvestres, na Quinta das Sobralas, Paiões (Rio de Mouro velho), em data a anunciar em breve.

Brevemente, vamos publicar o nosso calendário de workshops até ao final do ano, onde destacamos:

    • Horta Bio em Casa (4 horas)
    • Iniciação à Horticultura Biológica (25 horas)
    • Identificação de Plantas Silvestres Comestíveis e Medicinais
    • Podas e Enxertias em Agricultura Biológica (8 horas)
    • Controlo de Pragas e Doenças em Fruticultura Biológica (8 horas)
    • Construção de casas-ninho e hotéis para insetos
    • Iniciação à Jardinagem Biológica, com destaque para a utilização de plantas autóctones e poupança de água (8 horas)
    • Visitas à horta
    • Atividades para crianças

 

………………….Quinta das Sobralas, ao almoço durante workshop Pomar e Vinha Bio-Controlo-de-Pragas-e-Doenças

 

 

Para participar:

    1. através da nossa página do FaceBook:  https://www.facebook.com/hortasecologicas/
    2. ou do email   insc.hortaseco@gmail.com
    3. Brevemente também no nosso site www.hortasecologicas.com

 

 

Leia aqui as Dicas de Filomena e João

 

Facebook:  https://www.facebook.com/hortasecologicas/

Site:  www.hortasecologicas.com

 

Também pode gostar

Deixar uma resposta