À conversa com José Carlos Albino – Empreendedor

O empreendedor José Carlos Albino

O brilho das coisas feitas

Poeta e empreendedor move-o a vontade de melhorar as condições socioeconómicas na região Alentejo, a partir de Messejana, Concelho de Aljustrel – Baixo Alentejo. Neste artigo partilhamos a sua história enquanto Homem dedicado e perseverante na construção de uma sociedade mais equilibrada, erguendo projetos de relevo para o desenvolvimento local.  

Para melhor caracterizar José Carlos Albino, na sua vertente de homem, empreendedor e concretizador de sonhos que sente “o brilho das coisas feitas” escolhemos um poema seu:

O SER DAS COISAS

Emprenha e faz nascer
Novas coisas.
A imaginação, dirigida das coisas
É a aproximação possível dos eventos,
É a pré-anunciação do Ser.

O Ser fertiliza-se.

A imaginação deita-se à terra,
Em terra certa,
Em sol espalmado,
Em nascentes a correrem
Em seu ritmo.

Mas, depois de ser,
Já és árvore,
As raízes ganham
A seiva da hora.

O Bicho é outro,
Acrescentado de si.

O Mundo é outro,
Porque ponto, o centro,
Outro eu, que já sente,
Já apalpa,
Já beija,
Já cheira,

Já respira,
O brilho das coisas feitas,
O som dos passos,
Doutros bichos,
A clareza
Do já está.

Assim aconteceu concretizar a vontade de intervenção para o desenvolvimento local, em Messejana

Reconhecer a importância das sociedades cooperativas

O regresso a Messejana-Alentejo, tem a ver que eu já com uma dezena de anos no Movimento Cooperativo de Produtores e muito pelo que me enriqueci com os parceiros europeus mais experimentados, constatámos que a ligação das cooperativas com as suas envolvências locais-territoriais se foram tornando uma exigência de intervenção.

Nesta lógica, logo em 1986, ano de entrada na CEE, as Federações candidataram-se a realizar os pioneiros cursos de formação de Agentes de Desenvolvimento. Foram cursos que coordenei e envolveram, em dois anos consecutivos, duas dúzias de formandos do país todo.

Do Projeto de Formação para o Desenvolvimento de Micro Regiões Rurais – Messejana, à criação da Esdime

É neste quadro que nasceu a ideia de conceber o “Projeto de Formação para o Desenvolvimento de Micro Regiões Rurais – Messejana – 88/90”. Apresentada a candidatura, o projeto piloto-experimental, foi aprovado pelo Fundo Social Europeu em Bruxelas.

E, assim, para dirigir este projeto prenhe de inovações, porque integrando na formação, a “Iniciativa Empresarial” e “Promoção da Cidadania”, em 7 diferentes áreas-setores sócio- profissionais, para 100 Formandos, toda orientada para o autoemprego individual ou de micro- empresas, de que resultaram uma dúzia de negócios e empregos qualificados em instituições e, talvez a principal, desde o início promovida, a criação duma organização que desenvolvesse o que o projeto tinha lançado (na altura, batizada como SDM – Sociedade de Desenvolvimento de Messejana), e é assim que em fevereiro de 1989 nasce a Esdime.

Constitui-se como a 2ª organização assumidamente para promover o Desenvolvimento Local no País, após a constituição no ano interior da “In Loco” no Algarve-Serra do Caldeirão.

O papel da Esdime no desenvolvimento local e na valorização da Mulher Alentejana

Começando a gatinhar, em 1990 ganha uma nini estrutura profissional, particularmente virada para o apoio técnico e psicossocial de desempregados com ideias de criar micro negócios. De 90 a 94 foram centenas de projetos elaborados, quase todos ao Programa ILE, quase único no país de apoio a estas iniciativas, com muitas dezenas de microempresas criadas no Baixo Alentejo.

A partir de 94, tendo a Esdime sido consultora em 1990-92 na fundação e programa Leader da “Terras Dentro” nas Alcáçovas, assume-se como Agência para o Desenvolvimento Local no Alentejo Sudoeste, arrancando com o Projeto VALEMA (Valorização da Mulher Alentejana), ao abrigo do Programa Europeu NOW (New Opurtunytis to Woeman) e logo de seguida com o Programa ALSud ao abrigo do LEADER 2 que abrangia 9 Concelhos.

A partir daí multiplicaram-se Intervenções e Programas de diversa índole, levando a Esdime a aproximar-se dos 40 colaboradores permanentes, nos inícios do século XXI.

Nas palavras do autor: “remar contra a maré”, o que exige perseverança, resistência e capacidade coletiva de propostas e reivindicações.

O Projeto inicial na primeira década da Esdime, contribuiu para a subida da autoestima coletiva, a criação de micro empresas que tiraram dezenas do desemprego, com o termos ajudado a abrir caminho para novas ADLs (Associações de Desenvolvimento Local), com as centenas de iniciativas e empresas que promoveram novas atividades, tudo, desde os tempos iniciais, me fizeram acreditar que estávamos no caminho certo, não obstante sermos confrontados com as políticas centralistas geradoras de ondas pesadas, que sempre nos obrigaram a “remar contra a maré”, o que exige perseverança, resistência e capacidade coletiva de propostas e reivindicações.

Os principais processos em que a Esdime teve papel relevante.

Na fundação em 1993 da Animar, Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local, tendo estado no grupo que levou à sua criação e nas suas Direções nos primeiros 9 anos, duas vezes como vice-presidente e uma como presidente. A Animar foi muito relevante no agrupar e conjugar das ADLs e na conquista de posições e programas junto do Estado e Governos.

A outra em 1995, aquando da primeira crise da Esdime, provocada pelo chumbo do nosso Programa de Formação, o primeiro no Alentejo, decidido superiormente após todas as entidades do IEFP o terem proposto para aprovação. Perante a nossa Sessão de Denúncia em Beja, com a presença das principais organizações regionais, também elas vítimas de incumprimentos graves, constitui-se o Movimento “Baixo Alentejo a Uma Só Voz” com todas as organizações económicas, sociais e profissionais, que em resultado das suas ações viram muitas situações serem resolvidas.

Afastado da presidência continua empenhado em projetos de desenvolvimento Local

Em 2002 deixo a Presidência da Esdime e pouco tempo depois, por graves motivos de saúde, entro de baixa a que se segue a reforma por invalidez, deixando de ter qualquer responsabilidade nos destinos da Esdime. Contudo, enquanto Consultor, continuei ligado às questões do Desenvolvimento Local/Territorial, participando em Estudos e Projetos, de que relevo a coordenação do Plano Estratégico do Concelho de Aljustrel, via Agenda 21-Local, de que, também, resultou o lançamento das “Conferências de Aljustrel > Cidadania, Inovação & Território” em 2014, tendo-se já realizado 3 Edições, conforme poderão ver no SITE “Conferências de Aljustrel”.

Zé Carlos Albino, Messejana, 20 de setembro de 2018

 

Leia aqui a entrevista de José Carlos Albino e fique a conhecer o Poeta

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