À conversa com José Carlos Albino – Poeta

“Escritos Poéticos”

Neste artigo partilhamos a paixão de José Carlos Albino pela escrita.  Os seus “escritos poéticos” revelam-nos o homem sensível, apaixonado pelo Alentejo e pela natureza, que fala do amor nas suas várias formas. Embora a escrita regular de poesia tenha surgido há pouco tempo, a vontade de transpor na escrita o que lhe ia na alma começou cedo como diz na entrevista que nos concedeu.

Quem é o poeta José Carlos Albino? 

Nada melhor que as suas palavras no poema:

EU SOU EU

Eu sou eu
De eu próprio;
Fui, sou e serei;
Talvez teimoso
Temeroso
Saboroso.

Eus sou gente
de muita gente;
gente próxima
distante,
menos gente.

Eu sou
de quem,
nas vidas por
descobrir
saiba viver
em procuras,
talvez incertas.

Me saboreia,
Me admirando,
Trilhando,
Nas ondas saborosas
De devires
Ambicionados.

No eu,
Controverso
Perplexo
No optimismo de
Futuros
Complexos.

Que é gente,
Foi, é
Será, simplex.

De tanta gente,
Minguada
Magoada
Incorporada
Ambicionada,
Em gentes
Esventradas
Nos amores,
Na paz
Nas procuras
Das potenciadas
Felicidades.

(1983-2017)

Nós: Como surge a vontade de escrever poesia?

JCA: Indo aos escritos poéticos. Sendo que este tipo de escrita a fui fazendo em papéis avulsos e toalhas de restaurantes desde os meus 25 anos, eles se foram perdendo, tendo apenas resistido o “Eu sou eu” e o “Sinais de Fogo”, porque vertidos em dedicatória a meu Pai, no ano de 1983.

O apelo para a escrita regular de escritos poéticos, terá uns 7 anos, para que muito contribuiu a minha tardia adesão à informática e Net e o abrandamento da minha vida profissional.

Mas, de certa forma, acho que eles poisavam na minha cabeça há décadas, pelo que foram sendo escritos em catadupa, aprimorando tanto quanto sou capaz de os redigir.

Nós: Quando e de onde surge a inspiração?

JCA: A inspiração é principalmente noturna, decorrente do que vivo, vejo, ouço e penso, sendo que a natureza-céu, amores e “filosofias” são os seus motes, obviamente muito influenciada pela minha vivência em Messejana, Aljustrel, Baixo Alentejo e Alentejo nos últimos 30 anos e ser filho e neto de Messejanenses dos 4 costados.

Nós: A recente publicação do livro “No Reino do Gerúndio– escritos poéticos”

JCA: De há 5 anos a esta parte, comecei a enviar os que ia escrevendo por mail e facebook a amigas, mesmo e só de conhecimentos internáuticos, e fui recebendo elogios e declarações de que os tinha que publicar em Livro. Aceitei o desafio e há dois anos resolvi que me lançava na publicação, logo decidindo que se chamaria “No Reino do Gerúndio”, pois tal há muito me bailava na cabeça.

Nós: Porquê o título No Reino do Gerúndio?

Transcrevendo as palavras do poeta numa sessão em Aljustrel (2018):

JCA:  “… é o único tempo do verbo que tem movimento, quer na nossa vossa via individual, quer coletiva, … toda a nossa vida é uma linha, a nossa vida não são um somatório de pontos e só o gerúndio é que consegue dar essa visão …”

Nós: Da ideia à edição do livro

JCA: Como inexperiente em Livros desta índole, achei que precisava de uma pessoa, que bem conhecendo meus pensamentos e escrita,  me ajudassem na seleção e organização do Livro. Várias aderiram, mas por vicissitudes diversas, acabaram por ter que desistir.

E, talvez há um ano, a Paula OZ após leitura duma vintena de escritos, responde-me com grande elogio, principalmente pela originalidade da minha escrita, e convida-me para publicar na sua Editora. Aceitei e depois foram vários acertos, acordos e revisões e a 30 de junho o “No Reino do Gerúndio – escritos poéticos” veio à luz do dia e nesse dia Apresentado na Casa do Alentejo, com sessão muito boa e concorrida.

Agora vamos ver o que o tempo em vindo, nos trará.

Zé Carlos Albino, Messejana, 20 de Setembro de 2018.

poeta

Nós: Desejamos que, conforme consta da dedicatória deixada às suas duas filhas e aos seus pais, no livro “No Reino do Gerúndio – escritos poéticos”, que “lá dos lindos céus” onde se encontram, continuem a dar-lhe a inspiração para preservar na condição de ser “um simples homem bom!”

Para finalizar esta esta entrevista, escolhemos um poema “Céu de mais”, que nos faz recordar emoções sentidas aqui e ali, em noites quentes de verão olhando um céu limpo e aberto mostrando “a grandeza da mãe natureza” que “Com as imagens possíveis no meu pequeno ser, contente por as ter vislumbrado, recolho-me, encolho-me, enrolo-me nas mantas das vidas reais”

CÉU DE MAIS

Sem palavras,
sem musas,
o céu que agora
me caiu em cima,
cidrou-me

Sem máquina fotográfica
sem olhos que processem
imagens das profundezas
dos seres,
procuro-me cá por dentro
sem poesia por companheira

Vi ondas
vi rebanhos
vi poços sem fundo
vi a clareza do escuro
senti
paraísos infernais
senti-me
pigmeu infantil
senti
o chão nos céus
a fugir-me
debaixo dos pés,
concluí
a grandeza da
mãe natureza

Esgrimimos sentimentos
paridos em palavras
mas
apenas cães vadios
uivando por
comidas celestiais

Com as imagens possíveis
no meu pequeno ser,
contente por as ter vislumbrado
recolho-me
encolho-me
enrolo-me
nas mantas das
vidas reais

Caso pretenda adquirir o livro contacte o autor zcalbino54@gmail.com

Brevemente publicaremos outro artigo para que fique a conhecer o trabalho de José Carlos Albino em prol do desenvolvimento socioeconómico no Alentejo

 

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