À conversa com Martinho Costa … Artista Plástico

Nós humanos temos capacidade de olhar a realidade que se apresenta aos nossos olhos e ver para além dessa realidade. Cada um de nós tem uma visão particular sobre o que observa no mundo que nos rodeia.

Martinho Costa mostra nas suas obras uma particular forma de ver a realidade que nos faz deter o olhar para encontrar a nossa própria interpretação. Um artista sobre quem queremos saber mais, conhecer melhor a sua inspiração e as suas obras, para inspirar quem nos lê e promover a cultura através da arte.

Leia, inspire-se e “sinta” com o seu olhar as pinturas imaginadas através do “olhar” do artista

Martinho Costa

 

“Eu se pudesse pintava tudo. Tenho curiosidade de tudo abarcar pela pintura.”

 

Martinho pedimos-lhe que se apresente aos nossos leitores, falando um pouco de si e do seu percurso de vida.
Sou um artista visual que vive e trabalha em Lisboa e nas Caldas da Rainha. Fiz a licenciatura em Belas Artes em Lisboa e na Universidad Complutense em Madrid. Além da actividade regular de atelier, dou aulas de pintura..

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Quando teve consciência da sua forma peculiar de ver o mundo e da vontade de o representar através da arte? Houve algum momento ou acontecimento específico ou resultou de um crescimento natural e da educação que recebeu.
Não particularmente. Comecei por tomar conhecimento da pintura na adolescência através de amigos pintores amadores e muito através de catálogos dos grandes pintores, acessíveis na época. A partir daí por iniciativa própria comecei a explorar a aprendizagem e a curiosidade pela pintura. Particularmente de como numa superfície bidimensional se pode criar a representação de algo retirado do real.

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A criatividade existe em si, mas para aperfeiçoar a sua concretização sentiu necessidade de ter formação? Que formação fez?
Foi muito importante o contacto com uma realidade nova, numa época interessante em Lisboa. Aprendi mais com os colegas de curso do que com os professores. E pela visita regular a exposições. Se fosse hoje provavelmente não viria para Lisboa dada a vergonhosa especulação imobiliária que afasta as pessoas da cidade.

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Fale-nos um pouco da sua arte e da corrente artística com que mais se identifica?

 

Gosto de tudo! Eu se pudesse pintava tudo. Tenho curiosidade de tudo abarcar pela pintura. Recolher do fluxo de imagens que sirvam a pintura.

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Usa a sua criatividade para produzir vários tipos de arte, produzindo objetos artísticos. Há alguma concretização com a qual mais se sente realizado?
O meu trabalho hoje é feito em vários eixos todos igualmente importantes para mim. A pintura de atelier, os livros de pintura, as intervenções no espaço exterior, e o trabalho em vídeo animação. Em todos eles parto de imagens minhas ou dos outros. Todas elas tentam devolver uma imagem do mundo.

 

Trabalha as imagens resultantes de fotografias da realidade para lhes dar um cunho pessoal. Para si qual a diferença entre a fotografia a pintura ou a composição com montagens da imagem obtida?

Uma imagem pintada ganha uma dimensão diferente. É filtrada pelo corpo do pintor. Obedece a uma respiração que comanda a interpretação dessas imagens. Desta forma deixa o vínculo documental do real instantâneo para se transformar noutra coisa. Numa representação no interior da qual o tempo é suspenso. Um conjunto de marcas pintadas uma realidade própria.

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É também autor do projeto Pinturas ao Ar Livre. Pode-nos falar um pouco desse seu projeto? Considera-as como “arte de rua”?
Não. É um projeto de intervenção na natureza o mais possível afastado do espaço urbano. Não há ruas nisto. São coisas secretas, só existem para o mundo porque as publico na internet. Mas a existência física tem de ser descoberta. Não se impõem ao observador. Tentam respeitar o direito legitimo que uma pessoa tem de não ter que ver uma imagem que não quer. Colocar uma imagem artística no espaço público é uma profundo acto autoritário. Basta pensarmos na disseminação das imagens dos imperadores no império romano ou dos lideres nos regimes fascistas do século passado.

 

Ao fazer “a pintura” que lhe dá prazer como lida com as críticas? Não o incomodam? Quais as que lhe interessam mais, as do seu público ou a dos especialistas?
É bom ser critico e receber críticas. Faz parte do jogo. Tudo ok. Mais importante para mim é sentir reconhecimento. Eu falo para todos desde o senhor que anda a pastar ovelhas nas serras (ainda os há, passando pelos hipsteres, até ao critico de arte ou pior ainda um politico qualquer.

 

Qual ou quais os artistas que exerceram maior influência na sua arte?
O maior pintor de todos. O que colocou a pintura a um nível inultrapassável foi sem dúvida o Henri Matisse.

 

“A arte pode funcionar como uma válvula de escape para manter um maior equilíbrio emocional tanto daqueles que a “consomem” quanto dos que a produzem”. Concorda?

Não!

A arte não é terapia. É pensamento sobre o mundo. É uma imagem sem moralismos sobre o mundo. O papel do artista talvez seja a de devolver uma imagem do mundo. Sem ter a pretensão de dar lições de moral. Sem equilíbrios emocionais na equação.

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Que exposições, individuais ou coletivas, tem previsto realizar?
Algumas coletivas este ano em Portugal e em Espanha em breve.

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Quais as suas perspetivas futuras no mundo da arte, tem planos para o futuro?
Trabalhar.

 

Na sua opinião o que falta para incentivar mais o gosto dos jovens pelas artes? E que conselho daria a um iniciante nas artes?
Que se preocupe com o essencial: o trabalho. Tudo o resto vem por acréscimo e só serve para perder o foco.

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