Filhos que voam…

Partilhamos uma reflexão sobre as nossas filhas que voaram de casa da família para o mundo, sabendo que terão sempre os nossos braços abertos para os acolher.

Somos amigas e isso também significa que temos sentimentos comuns que nos unem.

Somos duas mães de duas jovens que, por mera coincidência, se chamam pelo mesmo nome. Sentimos tranquilidade, e orgulho em ver que as nossas filhas se transformaram em jovens mulheres comprometidas e responsáveis com a vida. Cada uma ganhou as suas asas e segue o seu caminho fora do aconchego da casa da família. Nos dias de hoje e, com toda a certeza, em cada época com particularidades próprias, a tarefa de educar uma criança segundo valores que acreditamos serem elevados, é possível mas não é fácil. Estamos certas de que, em todos os momentos, procuramos fazer o que entendemos ser o melhor para elas, dando-lhe todos os instrumentos e ensinamentos que lhe permitissem esse crescimento estruturado num amor incondicional. Cada uma de nós mães, com um percurso de vida distinto, viveu situações difíceis, tem ainda pela frente dificuldades a enfrentar, no entanto, acreditamos que a nossa atitude e ações, mais do que as palavras, são exemplos e “doutrinas” que, com sabedoria, serão avaliadas no devido tempo e altura certa, por elas.

Revivendo memórias, trazendo a saudade. Saudade de que?

Saudade de momentos memoráveis cheios de inocente encanto que, em criança, as nossas filhas nos deram o privilégio de assistir. Ficamos gratas à vida!

Saudade de sentir uns braços pequeninos que nos apertam procurando a segurança e amor.

Saudade de brincadeiras, de passeios, da ida para a escola, das festas de aniversário, de histórias contadas e de mil pequenas peripécias que em conjunto vivemos.

Mas foram apenas situações agradáveis que aconteceram?

Não, os momentos difíceis existiram! Quem passa pela experiência de ser mãe/pai ou educador de crianças, sabe que o processo de crescimento de um jovem é trabalhoso e apresenta algumas dificuldades. Muitas vezes cansadas de um dia preenchido com a atividade profissional e/ou pessoal, faltou a paciência para lidar com determinadas situações de crise inerentes ao período da adolescência. Naturalmente, as zangas e “castigos” eram a forma que encontrávamos de transmitir uma lição de aprendizagem e responsabilização pelos atos. Sobre este período da vida que é vivenciado por todos nós, uns de forma mais suave outros de forma mais agitada, veja-se o que o nosso cantor Rui Veloso, diz na sua música “Não há estrelas no céu” – tão depressa o sol brilha como de seguida está a chover!

O Balanço como mães.

Sem qualquer dúvida, um balanço muito, muito positivo, muito gratificante, nada se compara ao sentimento, tão pleno, de olhar um filho que cresceu são.

Nós somos mães, mas também somos filhas, e essa é a nossa mais-valia! A nossa experiência como filhas ajudou bastante a compreender que há um “eu” um “eles” e um “nós”. O saber gerir o “eu” em função “deles” e a respeitar o “nós”. Tudo tem o seu tempo! Não há uma fórmula certa para gerir a vida em conjunto, isso é o que cada um de nós, mãe, pai, filhos têm de saber que devem “fazê-lo com respeito, tolerância, altruísmo e afeto”, pois não há livro de instruções associado a Saber Ser Família, nesta família!

Se como filha não somos perfeitas como mãe também não seremos, mas será que existe a perfeição nos humanos? E a história repete-se, é cíclica – os filhos aprenderão, também, que em princípio, um dia este será o desígnio deles!

O que fica após a saída de casa dos nossos filhos?

Após a saída de casa, sente-se o vazio do quarto, da cadeira ocupada nos jantares em família, a falta das gargalhadas frescas,  …  um espaço que fica vazio na casa e em nós. Dar a volta por cima é uma escolha nossa!

Temos de encarar como uma mudança de vida positiva (torna tudo tão bem mais fácil) e aprender a reorganizar a vida familiar, a reinventar a nossa rotina diária e a matar saudades com recordações que nos enchem a alma. A olhar para elas e a ganhar esperança numa vida que continua ….  aprender a resgatar o “eu” muitas vezes perdido e a reconhecer esta nossa nova fase como uma oportunidade de ouro – partir à descoberta, agora é o nosso momento!

Estamos de parabéns, fomos bem-sucedidas a educa-las, criamos filhas autossuficientes e independentes, capazes de serem donas da sua própria vida. Não é esse o papel fundamental enquanto educadores?

O amor é isso, deixar partir, deixar voar. Eles nascem dentro de nós, mas são do mundo, não nossos! O nosso papel é impulsioná-los para a vida, confiar e apoiar as escolhas deles.

Missão cumprida, agora é o momento de cuidar de mim, de nós.

Inspire-se e siga-nos nesta missão!

A história em imagens
a história
Não há estrelas no céu”, Rui Veloso

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Sem comentários

  1. Concordo com tudo o que escreveram… mas quero apenas acrescentar uma coisa: estejam eles perto ou longe de nós, as preocupações de mãe são exactamente as mesmas!
    Boa sorte para todas!

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