À conversa com Cristina Maria …. fadista e escultora

Na conversa com Cristina Maria, percecionámos uma mulher criativa e multifacetada, fadista e escultora, dedica-se com paixão a estas artes para encanto de quem a ouve e de quem observa as suas obras escultóricas. O fado, elevado à categoria de Património Cultural e Imaterial da Humanidade pela UNESCO, parece ser um “destino” de Cristina Maria e de muitos de nós portugueses, que nos deixamos envolver pelo mistério de uma voz que se houve na noite acompanhada pelo som de guitarras, de um fadista vestido de negro, que fala de sentimentos profundos …

… a magia que tem o fado, aquele “não sei quê” que lhe chamam saudade ou nostalgia…eu sinto-o enquanto Amor maior.

… fico feliz por cada talhada de evolução, através de um manifesto escultórico muito meu, sem influências…simplesmente eu e a minha forma de sentir e ser…

Quem é a Cristina Maria mulher, como se descreve no papel de fadista e de escultora?

A Cristina Maria é uma mulher apaixonada pela vida, persistente, resistente, numa incansável conquista dos sonhos….de modo a dar resposta à minha condição de fadista e de escultora…porque me sinto mensageira e discípulo de um Ser Maior nas artes que represento!

O que a fascina no Fado? O que a fascina na Escultura?
Cristina Maria Escultura

No Fado o que mais me fascina para além da música em si e o que representa, encantam-me as pessoas, sobretudo aquelas que não entendem a nossa língua e se emocionam e nos fazem emocionar através daquilo que lhes fazemos sentir…a magia que tem o fado, aquele “não sei quê” que lhe chamam saudade ou nostalgia…eu sinto-o enquanto Amor maior.

Na escultura o que mais me fascina é nunca saber para onde vou!…  Essa aventura a que me lanço sem comprometimento e que no seu desenvolvimento consigo, sem querer, observar-me de fora para dentro…e fico feliz por cada talhada de evolução, através de um manifesto escultórico muito meu, sem influências…simplesmente eu e a minha forma de sentir e ser…depois o resultado é o somatório de tudo isto, que me fascina quando por fim o resultado da obra me consegue surpreender.

 

Quando sentiu que era o fado a sua canção de eleição?

Senti que o fado era a minha canção do coração, quando integrei uma banda de rock e aquando a gravação do disco, adotava uma interpretação de fado, que fui até repreendida por isso..  depois da minha viagem ao Brasil em 2004, quando regressei vinha decidida a dedicar-me unicamente ao Fado. E Assim aconteceu até ao dia de hoje!

 

Para si é mais desafiante ser fadista ou escultora?

Dedicar-me profissionalmente a estas duas Artes tão especiais por si só é um enorme desafio e uma tremenda aventura. Elas complementam-se, alimentam-se e crescem mutuamente em mim como duas almas gémeas…

Como descreveria o fado numa palavra?

Amor

O que é um bom fado?

Para mim um bom fado, é aquele que de música e poesia rica, me emociona e arrepia…

Qual o seu fadista de referência? E qual o fado preferido?

Existem vários fadistas, sobretudo da nova geração, que gosto muito e também me inspiram…mas terei de ir “beber à fonte” de onde tudo para mim começou e gostaria assim de destacar, Dulce Pontes e posteriormente com o meu crescimento Amália Rodrigues, claro…

Para além do fado que outros tipos de música gosta de ouvir?

Gosto de todo o género musical, desde que a música seja boa.

Qual das suas atuações considera inesquecível ou memorável? E a que tenha corrido menos bem?

Honestamente não consigo enumerar uma, pois todas as atuações têm a sua importância na minha vida…Por todos os cantos do mundo por onde tenho passado tenho vivido e sentido emoções ímpares…mas talvez aquando inauguração da exposição “esculturas do meu fado” no Panteão Nacional em Lisboa e a apresentação do disco “a voz das mãos” prestando homenagem a Amália Rodrigues, cantando e igualmente com a obra escultórica… ainda hoje recordo o coração a querer fugir do peito a todo o instante…

E não me recordo de algum espetáculo que tenha corrido mal de facto.

Gosta mais de cantar em casas de fado ou em concertos?

Eu não costumo cantar em casas de fado, talvez porque não vivo em Lisboa nem nunca tive a prática familiar de frequentar casas de fado. Hoje, Sempre que possível vou mas como cliente…e mesmo cantando em espaços que recriam o ambiente das casas de fado, sempre preferi os concertos, talvez porque sempre andei nos palcos…

Se tivesse de escolher alguém para formar um dueto quem seria?

Andrea Bocelli

Cada vez mais surgem jovens a cantar o fado bem como novas linguagens e expressões. Gosta mais do fado tradicional ou do “fado novo”?

Como todas as expressões artísticas existentes no mundo, há sempre a evolução… o fado também ele evolui, e nessa evolução continua sempre presente e o respeito pelo fado tradicional independentemente da abordagem musical e interpretativa… pois também é assim que o sinto.

Enquanto intérprete, autora e instrumentista onde vai buscar influências e inspirações para expressar a sua criatividade?

Gosto de me inspirar em outros géneros musicais e autores que possam “casar” com o fado que eu sinto… Depois dou maior destaque aos meus valores enquanto ser humano, inspiro-me também muito na minha escultura, no mar, no amor em geral e no quotidiano…

Quantos álbuns tem já editados?

4 São eles: “ O outro lado” / “Percursus” / “ A voz das mãos” / “ Livremente”

Apreciamos algumas das suas obras escultóricas que nos remetem para o mundo do fado e da música, que outras obras e outras inspirações tem concretizadas?

Uma das obras de maior destaque do meu percurso é a Rosácea do Convento de S. Francisco em Santarém inaugurada em 2012.

Depois existem outras obras públicas que para mim também têm uma enorme marca no meu percurso e crescimento, como exemplo: a obra de homenagem a Manuel Teixeira Gomes “ Lágrima de Agosto” – Portimão / monumento à música “ A Tempo” Ponte de Sor / homenagem ao Mestre Canteiro Alfredo Ribeiro “ Voz das mãos”, entre outras.

Que materiais gosta de utilizar nas suas obras escultóricas?

Gosto especialmente de trabalhar a pedra mármore (na sua diversidade) e misturo também outros materiais principalmente ferros e aço.

Tem algum projeto(s) empolgante(s) na área da escultura em que esteja a trabalhar ou previsto para breve?

A preparar uma nova exposição para apresentar no próximo ano…

Tem algum trabalho específico, um evento ou exposição que devamos conhecer?

A exposição de escultura de homenagem ao fado deu início em 2013 no Museu do fado em Lisboa, fez o percurso dos monumentos nacionais, nomeadamente: Panteão Nacional em Lisboa prestando homenagem a Amália Rodrigues, Museu Guerra Junqueiro no Porto, Convento de Cristo em Tomar, Mosteiro da Batalha, entre outros… até agora tem feito o percurso de algumas galerias, passando ainda por Itália, Espanha e França. Já na terceira edição desta homenagem, com a exposição “Fado & Pedras D’Alma” teremos a sua apresentação em Lisboa no espaço da Livraria Europa América no próximo dia 2 de Maio a inaugurar pelas 18.30h. “Pedras D’Alma” que dá nome as minhas esculturas em miniatura, estará também presente em Abril em Luzern na Suiça no âmbito da Expo Cultura Lusa e em Junho em S. Miguel nos Açores.

Quantos anos tem de carreira como fadista? e como escultora?

Dedico-me ao fado e à escultura há cerca de 14 anos. Embora já esteja ligada a escultura e cantaria artística há cerca de 22 anos.

O que sente que lhe falta fazer enquanto mulher-escultora? E mulher-fadista? Em qual das duas se realiza mais ou elas complementam-se?

Juntando as duas, enquanto artista, falta-me fazer tudo ou quase tudo, pois acredito que na conclusão de qualquer projeto, estarei sempre pronta e sedenta para iniciar novos ciclos, novas aprendizagens, novas manifestações do meu amor pelas minhas artes… Como disse anteriormente, as duas complementam-se, crescem juntas e presentemente não me imagino a viver sem qualquer uma delas!

Um sonho seria…

Poder continuar livremente a manifestar o meu Eu através da Arte até ao fim da vida…!!

 

site: http://www.cristinamaria.com.pt/

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