A esperança digna de espanto –José Tolentino Mendonça

A esperança que queremos esteja sempre presente em todos os momentos da nossa vida. A esperança digna de espanto, como mote de inspiração para o seu início de ano.

Para si, deixamos um extrato do texto “A esperança digna de espanto” da autoria de José Tolentino Mendonça publicado no jornal Expresso, em 12.01.2019. Leia, medite na mensagem transmitida e procure renascer, todos os dias, no novo ano de 2022, pois não podemos viver sem esperança.

“Nascemos nas viagens sem mapa que a juventude arrisca.

Nascemos muitas vezes naquela idade avançada onde os trabalhos não cessam, mas se reconciliam com laços interiores e caminhos adiados

Nascemos quando nos descobrimos amados e capazes de amar.

Nascemos no entusiasmo do riso e na noite de certas lágrimas.”

 

 

A esperança digna de espanto

Enganem-se os que pensam que só nascemos uma vez. Para quem quiser ver, a vida está cheia de nascimentos. Nascemos muitas vezes ao longo da infância, quando os olhos se abrem em espanto e alegria. Nascemos nas viagens sem mapa que a juventude arrisca. Nascemos na sementeira da vida adulta, entre invernos e primaveras maturando a misteriosa transformação que coloca na haste a flor e dentro da flor o perfume do fruto. Nascemos muitas vezes naquela idade avançada onde os trabalhos não cessam, mas se reconciliam com laços interiores e caminhos adiados. Nascemos quando nos descobrimos amados e capazes de amar. Nascemos no entusiasmo do riso e na noite de certas lágrimas. Nascemos na prece e no dom. Nascemos no perdão e no confronto. Nascemos em silêncio ou iluminados por uma palavra. Nascemos na tarefa e na partilha. Nascemos nos gestos ou para lá dos gestos. Nascemos dentro de nós e no coração de Deus.

 

Não podemos viver sem esperança, mas esta não é uma tarefa nem evidente, nem fácil. Precisamos de uma educação para a esperança. A esperança não é um lenitivo que adormece a dor até que ganhemos coragem para tratar a sério da vida, mas uma força que impregna já o presente e nos motiva para a transformação da história.

A esperança é, então, um dinamismo concreto, uma laboriosidade no aqui e no agora, um fazer aberto ao futuro.

 

Sobre o seu significado profundo e como se pratica, há aquela história do velho monge que se propunha alcançar o cimo de uma montanha e que, numa das etapas iniciais do caminho, pernoitou numa estalagem. O estalajadeiro reparou na sua fragilidade e tentou dissuadi-lo, enumerando os perigos que o espreitavam. O monge, porém, respondeu: ‘Tenho a certeza de que chegarei lá’. ‘E como é que um homem fraco como tu pode ter semelhante certeza? Para mais, vem aí um inverno duro’. O ancião retorquiu: ‘Coloquei lá em cima o meu coração e por isso sei que, mesmo assim inseguros, os meus passos hão de chegar lá’.

José Tolentino Mendonça, in Expresso, 12.01.2019

 

Acenda a chama do Amor, da Vontade, da Gentiliza e da Esperança e tenha um Feliz Ano de 2022

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