À conversa com Santiago Belacqua, artista plástico

Foi no passado dia 27 de novembro, na Casa de Angola, que conhecemos o artista plástico Santiago Belacqua, na inauguração da sua exposição sob o título “O Berço do Mundo”. Na linguagem da sua pintura, as suas obras falam com o público sobre uma outra forma de ver a religiosidade. Magnifico!

“… a arte é uma forma de sabedoria prática, que une conhecimento e perícia para dar forma à verdade de uma realidade na linguagem acessível à vista…”

 

Este artista minhoto, foi o primeiro artista português convidado a expor no Vaticano, reconhecido sem dúvida pelo modo como transmite através da sua arte, não só uma mensagem de fé como um olhar contemporâneo da arte sacra. Santiago Belacqua é um homem de fé, um artista que se inspira nas pessoas e nos sentimentos, conforme nos diz:

 

“As pessoas são a minha fonte de inspiração, o diálogo com elas, os sentimentos que transmitem, os seus anseios, as lágrimas e a esperança…

a fé.”

 

Como começou o seu interesse ou paixão pela arte? Em que momento sentiu necessidade de se expressar como artista plástico?

Numa aula de estenografia, no curso de gestão, fui “apanhado” a desenhar; talvez se tenha dado aí o início. Mas só em 2011 comecei, de forma forçada, pois estava fisicamente debilitado em sequência de uma intervenção cirúrgica que correu mal, e que ainda hoje influencia o meu dia-a-dia, que me proporcionou o tempo e a alma para me dedicar à pintura; desde então não parei.

 

Santiago Belacqua, qual foi o seu primeiro contacto com as artes?

Durante muito tempo pratiquei uma outra arte, tocando viola-baixo numa banda, os Tosta Mista, na Alemanha. A pintura só surgiu a meio da década de 90, quando deixei a música, mas só pintava como hobby, despendia pouco tempo à pintura.

 

As suas obras são de uma riqueza de figuras, natureza, cor e luminosidade que nos deixam extasiadas, mas que nos pacificam. Pode-nos falar um pouco da sua inspiração na arte sacra ou porque essa preferência?

As pessoas são a minha fonte de inspiração, o diálogo com elas, os sentimentos que transmitem, os seus anseios, as lágrimas e a esperança…a fé. Há um sentimento comum a muita, muita gente: a Fé. Como católico que sou, tenho presente a mais fantástica personagem da Humanidade: Jesus Cristo. O legado que Ele nos deixou excede a inteligência de todos os sábios. E respondo com uma pergunta:

Se deixássemos de acreditar no divino, íamos rezar a quem?

Pietà uma obra de Santiago Belacqua
PIETÀ – Obra de Santiago Belacqua

 

Santiago Belacqua é um artista multidisciplinar, um tanto eclético, faz de tudo um pouco, desde design de jóias, azulejos, obras sobre tela, azulejo, caxemira, tecido, botões …Qual o material de eleição para produzir o seu trabalho de inspiração cristã?

Quanto aos desenvolvimentos referidos, tenho de acrescentar que nada faço sem apoio de especialistas, desafiando-os a adaptar os seus extraordinários trabalhos às minha pinturas. Procuro soluções funcionais na indústria e que transmitam a beleza que as pessoas gostam. É um processo inesgotável, desenvolver novos suportes, cruzar técnicas…

 

Tem um trabalho muito diversificado. Quais as técnicas utilizadas e qual a sua preferida ou em qual se especializou?

As técnicas que uso não são o grande desafio, mas sim a mistura de cores e o material ou suporte em que as posso apresentar. A tinta e a tela são hoje tradicionais, mas, foi sempre assim? Os artistas são exploradores no contexto expressivo, não se contentam com o banal, para não deixarem de serem artistas.

 

É um autodidata ou tem formação específica na área das artes plásticas?

Não tenho formação em artes plásticas, mas seria certamente uma grande ajuda.

Como não ambiciono ser mestre, tenho outra ambição: Tentar ser boa pessoa.

 

Última Ceia, uma Obra de Santiago Belacqua
Última Ceia – Obra de Santiago Belacqua

 

Tem realizado diversas exposições por diversos países. Quais foram para si as principais exposições? Das várias coleções produzidas qual ou quais considera mais inovadoras e criativas?

Não deveria destacar alguma exposição em particular; todas as entidades que me convidaram e os visitantes desses espaços merecem o meu carinho e o meu respeito, mas tenho uma afinidade especial pelo Museu Pio XII em Braga;

Na exposição no Fórum Grandela, em Lisboa, houve momentos de magia, aquela magia que se sente e que só os poetas sabem descrever.

 

Santiago Belacqua, como vê o futuro das artes no seu “todo”?

Não faço a mínima ideia, é o público que define a arte e o artista. Contudo é inegável que a era digital é transversal, e as artes não se isentam do seu uso. Só não sabemos se o futuro vai catalogar o que fazemos hoje como clássico ou arcaico, ou se coexistirão, complementando-se.

 

Há muitos “génios” na pintura no passado. E nos nossos dias? Qual o seu artista preferido ou quais as suas influências?

Os génios do passado ocuparão sempre o quase intangível lugar da perfeição. Hoje tudo é muito rápido, há um frenesim enorme, minimalista, em quase tudo, o imediato ameaça roubar-nos o tempo para ambicionar e criar o eterno, porque temos que dar seguimento ao feito anteriormente. Apesar da minha permanente inquietude, sinto novamente, como aconteceu entre 2014 e 2016, a necessidade de parar para…criar. As influências no que faço não serão propriamente provenientes de um artista concreto, mas dos muitos olhares que vejo.

Gosto particularmente da irreverência e do cérebro sem limites de Xicofran; gosto do trabalho minucioso de Jacques Ruela e de Fernando Russo, ambos escultores com técnicas distintas. Tivesse eu a tendência e a destreza para o retrato, que não tenho, a minha grande referência seria Henrique Medina e o meu mestre só podia ser António Macedo.

 

As críticas incomodam-no ou considera-as como uma mais-valia? E qual a critica melhor, a do público ou a dos especialistas?

As críticas não me incomodam, aumentam a responsabilidade e a exigência que me imponho de fazer melhor; estando o mundo em permanente mutação, nunca descobrirei o expoente máximo da beleza, e isso incentiva-me.

Como nunca recebi crítica negativa do público, mas sim elogios, guardo-os como sinal de reconhecimento. Considerando que um especialista possa ser um historiador, ou um padre, um/a director/a de museu, um Vereador da Cultura ou Presidente de Câmara, um Ministro da Cultura ou Presidente da Assembleia da República ou Presidente da Assembleia Nacional (no estrangeiro), tendo sido todos eles anfitriões de exposições minhas, considerando ainda a divulgação que me é dedicada pela comunicação social, nada mais posso acrescentar, somente o meu agradecimento.

 

O que há a melhorar no mercado das artes, na sua opinião?

Esta pergunta é difícil de responder… Eu não conheço uma ínfima parte do mundo; ainda que percorra todos os continentes e que fale com toda a gente que neles habitam, ainda que tente conhecer a história de todos os povos ou que tente conhecer todos os cantos do universo, ou que procure a sabedoria no verso do poeta ou o toque de Deus nas palavras do Apóstolo…

Nunca saberei responder a esta pergunta, porque no instante seguinte muita coisa terá mudado no mundo.

 

Como encara o seu futuro ou quais os seus planos para o futuro?

O meu plano é uma mistura de sentimentos. Tenho os compromissos inevitáveis com a sociedade, assim como tenho uma agenda a curto prazo para honrar, incluindo a minha colectiva de Arte Sacra com extraordinários artistas…; tenho a necessidade de parar ou de mudar ou de realizar aquele evento que formatei; acima de tudo tenho de continuar a pedir a Deus que me conceda mais algum tempo, para poder agradecer a quem me ajuda, enquanto Lhe dou as minhas cores, porque Ele sabe que o meu trilho…trilha.

 

Santiago Belacqua, neste momento este espaço é seu, quer dizer algo que ficou por dizer ou simplesmente deixar alguma mensagem aos jovens futuros artistas?

Às vezes falam-me em sonhos, se tenho sonhos, e eu respondo: Se eu tivesse sonhos nada faria, sonhava.

 

 

Próximas exposições onde poderá apreciar as maravilhosas obras deste inspirador artista:

  • Alfândega da Fé, na Igreja Matriz, 26 de Janeiro.
  • Museu de Arte Sacra de Macedo de Cavaleiros, a minha colectiva com o tema “Entre a Terra e o Céu”, início dia 20 Março até 30 de Abril, conta com um grupo de extraordinários artistas.

 

Página de Facebook de Santiago Belacqua

 

Veja Aqui uma pequena Galeria de Obras de Santiago Belacqua

 

 

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