À conversa com Sarah Musgrave 

À conversa com Sarah Musgrave, revelamos um pouco da mulher, mãe dedicada, escritora e professora de Biologia. Sarah vive a vida com paixão, é uma mulher sensível, aventureira e sonhadora, que faz refletir essa sensibilidade nos livros publicados. As histórias contadas nos seus livros estão repletas de mensagens que nos fazem pensar na forma como vivemos e escolhemos interagir com o que nos rodeia.

 Um sonho concretizado.

 

“Era um sonho que eu tinha o de ser escritora, mas tinha muito medo de não ser capaz por isso levei muito tempo a ter coragem

para escrever um livro,

porém quando comecei a escrever não consegui mais parar.”

 

  

Para melhor conhecermos Sarah Musgrave enquanto mulher e escritora, fale-nos um pouco de si e do seu percurso de vida que a trouxe até Portugal.

Sarah Musgrave: Eu era muito pequena quando a minha mãe decidiu regressar a Portugal. As minhas irmãs já nasceram cá em Portugal, vivi sempre por cá e só em adulta é que regressei a Inglaterra. As minhas origens são inglesas, mas o meu coração é português. Cresci entre duas culturas, entre dois desejos, ser inglesa e ser portuguesa, creio que isso acabou por me definir e está presente nos livros que escrevo.

Como e quando surgiu o apelo pela escrita? Como aconteceu todo esse processo desde a vontade de escrever até se tornar escritora?

Sarah Musgrave: Eu era muito pequena, cerca de seis anos, quando decidi que queria ser escritora. O meu avô materno escrevia e eu achava maravilhoso escrever. A minha mãe costuma contar que eu escrevi um livro, ainda pequena, o meu avô terá escrito o livro por mim e enviou-o para uma editora. A editora não o publicou, mas enviou-me uma carta de incentivo para que eu não desistisse. Eu fui crescendo sempre com muitas histórias a povoarem a minha imaginação, passava a vida no mundo da lua a viver uma qualquer história. Passaram-se muitos anos, trinta, até eu voltar a escrever. Quer dizer, escrevi pequenos textos, frases soltas, contos, mas um livro só comecei a escrevê-lo aos trinta e seis anos. Era um sonho que eu tinha o de ser escritora, mas tinha muito medo de não ser capaz por isso levei muito tempo a ter coragem para escrever um livro, porém quando comecei a escrever não consegui mais parar.

Tendo nascido em Inglaterra sente que existe alguma influência das suas origens na forma como vê o mundo e como o transmite nas suas obras?

Sarah Musgrave: Tenho influência através da minha mãe que sempre foi uma mulher à frente do seu tempo. Ela sempre me inspirou a ver o mundo com outras cores, com outros olhos. Tenho tanto de Inglaterra como de Portugal, creio que fiquei com o melhor de dois países e isso percebe-se na minha escrita.

O facto de ser mãe de um jovem rapaz, inspira-a na escrita das suas histórias?

Sarah Musgrave:  Ser mãe mudou a forma como eu via o amor. Ser mãe mudou a forma como eu passei a sentir o amor. E eu tive a sorte de ser mãe de um jovem fantástico que me inspira a ser melhor em tudo o que faço, inclusive na escrita. O meu filho é a fonte de inspiração da minha vida.

 Ser diferente.

 

“Por vezes, não sinto que sou aceite ou compreendida porque sou diferente, mas não por ser mulher.

Nem sempre as pessoas entendem a minha sensibilidade, outras vezes, fazem juízos apressados sobre a minha pessoa, mas creio que é por eu gostar de ser diferente, de ser arrojada em algumas coisas.”

 

 

 

O facto de ser mulher alguma vez a condicionou as suas atividades criativas?

Sarah Musgrave:  Nunca senti nenhum condicionamento por ser mulher. Por vezes, não sinto que sou aceite ou compreendida porque sou diferente, mas não por ser mulher. Nem sempre as pessoas entendem a minha sensibilidade, outras vezes, fazem juízos apressados sobre a minha pessoa, mas creio que é por eu gostar de ser diferente, de ser arrojada em algumas coisas.

Quais os seus projetos futuros? Está nos seus projetos vir a escrever para crianças?

Sarah Musgrave: Já tenho dezassete livros escritos, um dos quais é um conto infantil. Precisei experimentar diversos estilos para perceber qual gostava mais de escrever e sem dúvida gosto muito de escrever romances. Num futuro próximo, para este ano, estou a preparar o lançamento de mais um romance. Hoje em dia, já não penso muito no que vou fazer. Vou escrevendo, pois tiro muito prazer da escrita, e vou deixando as coisas acontecerem.

Quais as suas principais inquietações neste mundo em que vivemos e onde vivem os nossos filhos? 

Sarah Musgrave: Sinto uma tristeza muito grande porque acho que se estão a perder valores. O amor, a amizade, a bondade, o altruísmo, o respeito pelos outros e pelos animais, estão a ser abafados pelo egoísmo, a arrogância e a vaidade. 

Escreveu “… enfim, de colecionar momentos felizes”. Pode explicar que momentos felizes são esses que coleciona?

Sarah Musgrave: São momentos que partilho com outras pessoas, são experiências que me encheram o coração. Por exemplo: uma viagem de balão de ar quente, uma viagem a um país que ainda não conhecia, um jantar festivo de família, uma corrida de madrugada em boa companhia, um treino de corrida na serra com amigos, uma tarde de escalada, uma viagem com o meu filho, uma ida à praia com as amigas, são todos aqueles momentos que nos pareceram tão pequenos, mas que depois nos deixam uma enorme saudade.

Perdoar-se a si próprio(a).

 

“Numa altura em que eu precisava perdoar-me por escolhas que fizera no passado. Resolvi escrever sobre isso, sobre perdoar-nos a nós próprios para podermos seguir em frente.”

  

A minha música favorita é I don´t want to miss a thing dos Aerosmith;”

 

 

 

Pode-nos falar um pouco do seu romance “O encantador de sonhos”? Como surgiu a ideia? Onde e como se inspirou para o escrever?

Sarah Musgrave:  A ideia surgiu numa altura difícil da minha vida. Numa altura em que eu precisava perdoar-me por escolhas que fizera no passado. Resolvi escrever sobre isso, sobre perdoar-nos a nós próprios para podermos seguir em frente. O Jerome foi inspirado num amigo, um grande amigo, alguém que tal como o meu Jerome, tem um grande coração, mas tudo o resto foi fantasiado. As histórias vão surgindo sem que tenha que fazer muito esforço, costumo dizer que os livros ganham vida e eu apenas vou escrevendo o seu desenrolar. Foi o aconteceu com O Encantador de Sonhos, o meu Jerome foi seguindo o seu caminho e eu fui escrevendo as aventuras dele.

Para além de ser escritora que outros interesses tem? Por exemplo, música preferida … viagens … leitura … filmes …

Sarah Musgrave:  Adoro correr, dançar e escalar;

A minha música favorita é I don´t want to miss a thing dos Aerosmith;

adoro viajar, conhecer novos sítios, sonho em conhecer a Asia;

não tenho apenas um livro favorito, tenho vários, sou fã de policiais, adorei todos os livros de Agatha Christie e de Erle Stanley Gradner, Lars Kepler com os seus dois livros O Hipnotista e O Pesadelo, Donato Carissi com O Tribunal das Almas; na área dos romances adorei todos os livros de Jane Austeen, os livros de Morris West em especial O Advogado do Diabo e tenho um romance favorito que marcou e influenciou a minha escrita As palavras que nunca te direi de Nicholas Sparks.

Tenho alguns filmes favoritos: eu adoro ver filmes, sou fã de filmes cómicos franceses. Depois existem outros que me foram marcando ao longo dos anos: Revezes da Fortuna com Jeremy Irons e Glenn Close (1991), O Colecionador de Ossos com Denzel Whashington e Angelina Jolie (1999), A Casa do Lago com Keanu Reeves e Sandra Bullock (2006), Sete Vidas com Will Smith e Rosario Dawson (2008), Viver depois de ti com Sam Claffin e Emilia Clarke (2016)

Tem algum livro preferido? Sem ser um dos seus… se sim qual e porquê?

Sarah Musgrave: As palavras que nunca te direi de Nicholas Sparks, quando li este livro, foi o primeiro que li dele, e mais nenhum livro dele me fez sentir como este. Eu vivi aquela história como se fosse minha, senti que poderia ter escrito o livro, que se escrevesse um livro seria muito no estilo daquele livro, não que eu quisesse imitar o estilo dele, nada disso, mas porque as inúmeras histórias que viviam e vivem na minha imaginação são do mesmo estilo, por isso aquele livro fez-me pensar que afinal as minhas histórias poderiam ser escritas.

Qual a mensagem que gostaria que os outros ouvissem?

Sarah Musgrave: As pessoas deviam amar mais, praticar a bondade, a cortesia, a sinceridade, o respeito pelos outros e pelos animais, e preocuparem-se menos com o dinheiro e a imagem. As pessoas deviam procurar o que as faz felizes. Infelizmente, existem demasiadas pessoas infelizes.

Se a vida é uma corrida o que devemos levar connosco?

Sarah Musgrave: O amor que vivemos, os sonhos que realizámos, o bem que fizemos, as gargalhadas que demos.

Cada vez mais se fala em alimentação saudável. Todos nós sabemos que “Somos o que comemos”. É uma preocupação no seu dia-a-dia em manter uma alimentação equilibrada na procura de satisfazer uma maior qualidade de vida? Por curiosidade que tipo de alimentação faz? Tem alguma receita especial que gostaria de partilhar?

 Sarah Musgrave: Já sou vegetariana há muitos anos. Comecei por não gostar do sabor da carne e do peixe, pois na altura não existia a mesma consciência que existe hoje. Na faculdade acabei por me cruzar com grupos defensores dos direitos dos animais e isso influenciou-me bastante. Fui vegan por três anos, mas comecei com problemas de saúde que culminaram com um aborto espontâneo, por isso quando engravidei do meu filho voltei a introduzir os lacticínios e ovos na minha dieta, que se mantêm até à atualidade.

Uma das minhas receitas favoritas:

Beringela à parmesana (duas pessoas)

Tempo de preparo: 1 hora 30 minutos

Ingredientes:

  • 1 beringela;
  • 1 cebola pequena;
  • 3 dentes de alho;
  • 2 tomates maduros;
  • 2 queijos mozarela frescos;
  • 3 colheres de sopa de queijo parmesão ralado;
  • 1 colher de chá de açúcar;
  • manjericão;
  • sal e pimenta qb
  • 4 ml de azeite extra virgem.

Preparação:

  1. Lavar muito bem a beringela. Cortar em rodelas e cobrir com sal. Deixar estar por 30 minutos.
  2. Lavar as rodelas de beringela para retirar o sal. Secar com um pano da loiça. Dispor num tabuleiro. Regue com azeite e leve ao forno (180C/200C) durante 25 minutos.
  3. Pique a cebola e os alhos e aloure-os em pouco azeite.
  4. Adicione os tomates (sem pele e sem sementes) cortados em pedaços e o manjericão.
  5. Adicione o açúcar. Tempere com sal e pimenta.
  6. Deixe refogar durante 5 minutos.
  7. Retire as rodelas de beringela do forno. Cubra com o molho de tomate e com o queijo mozarela cortado em pequenos pedaços ou ralado.
  8. Polvilhe com queijo parmesão.
  9. Leve novamente ao forno por 10 minutos.

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