Maria Seruya – “Viver inspirada e partilhar essa inspiração”

Maria Seruya, uma mulher de imaginação fértil, sensível e aberta ao que nos rodeia, vive intensamente a sua paixão pela arte.

Para nós, um grupo de 4 mulheres que se empenham neste Blog, o projeto “Velhas Bonitonas” que retrata mulheres que entraram na vida madura mas não perderam a leveza do ser, do pensamento e se mostram como são, sem receios e sem preconceitos, tem um significado muito especial. Consideramos que é um projeto inspirador na medida em que, através da arte, mostra à sociedade que, antes de se ser velho, é-se pessoa com direito a uma vida livre de preconceitos e ao respeito de todos. Envelhecer é um privilégio que não nos cabe escolher!

Nós: Quem é a Maria Seruya? Não se importa de se apresentar?

Maria Seruya : Sou uma mulher feliz! Cada vez gosto mais de estar na minha pele, e de envelhecer nela!! Sinto-me bem a criar e adoro pessoas. Sobretudo gosto de trocar uma BOA gargalhada.

Nós: Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma (Lavoisier). Da mesma forma é a arte, em busca do espírito da criação – Tudo acontece, tudo nasce, como nasce a sua arte e que influência a sua formação pessoal e académica se faz sentir?

Maria Seruya A minha formação artística é muito variada. Experimentei campos artísticos muito diversos tais como pintura, ilustração, desenho, teatro, cerâmica, música, joalharia. Desta forma penso que toda a arte que faço actualmente beneficia de um forte conteúdo porque é fruto dessa diversidade. A minha formação pessoal é igualmente muito relevante no meu trabalho porque tenho muito boas referências familiares tanto a nível artístico, como a nível cultural .

Nós: Arte é uma das manifestações do ser humano e uma forma de comunicação. A arte da Maria marca a sua presença no mundo, representa a sua vivência, preocupa-a saber que poderá não conseguir transmitir o propósito da sua criação?

Maria Seruya : A principal razão pela qual crio estas pinturas é porque gosto, porque me dá prazer e porque me sinto inspirada por elas. Além disso, gosto muito do diálogo e da conexão que tenho vindo a desenvolver com o público que me segue. Sinto que é muito relevante haver essa comunicação porque é impactante na vida das pessoas, e isso deixa-me muito feliz. Gosto de viver inspirada e partilhar essa inspiração, mas sem o propósito de gerar aceitação. Isso é um resultado e não um objetivo.

Nós: Quando e onde lhe surgem as melhores ideias? Este projeto das Velhas Bonitonas nasceu como e há quanto tempo? Quantos retratos compõem esta coleção?

Maria Seruya: Este projeto nasceu espontaneamente há cerca de 1 ano e meio, mas quando comecei tive a certeza que não queria mais parar. Até agora criei cerca de 60 retratos. As ideias surgem em todo o lado, imagens que vou recolhendo, olhares com que me cruzo, inspiração em filmes, exposições, teatros, conversas, conferências, tertúlias, desafios. Pode mesmo acontecer em qualquer altura. Às vezes devido a uma procura, outras vezes de forma inesperada.

Nós: Obviamente que, com este projeto, quis transmitir ao mundo de acordo com a sua visão uma mensagem. Pode explicar como pode ajudar no dia-a-dia as mulheres retratadas na sua pintura, já que elas representam uma história?

Maria Seruya: Crio Mulheres Velhas Livres. Interessa-me a liberdade de espírito feminina e encontro isso na Velhice. As personagens que crio são imaginárias, mas todas elas respondem a uma lema “Ousamos ser quem queremos, sem complexos nem culpas”. Penso que a beleza está mesmo na diversidade. Acredito que quanto mais reais somos, mais belos somos. A própria expressão Bonitonas não está associada diretamente a beleza mas a uma certa ousadia ou liberdade de se ser aquilo que se é seja qual for o tamanho, a cor, o género ou neste caso a idade.

É isto que me inspira e que crio por puro prazer, e isso de alguma forma tomou um rumo de mensagem para um público maioritariamente feminino dos 30-65+, que se sente muito bem quando vê estas imagens pois é uma forma de desdramatizarem o seu próprio processo de envelhecimento.

Nós: Vai dar continuidade e acrescentar mais retratos a esta coleção à medida que a imaginação vai acontecendo ou que as histórias por contar se revelem?

Maria Seruya: Como disse assim que comecei este projeto nunca mais quis parar. Continuo a sentir este desejo e hoje em dia é como uma missão. Tenho algumas ideias para o seu desenvolvimento a longo prazo tais como experimentar outros campos artísticos e envolvimento em projetos paralelos de impacto social, mas sempre continuando a dar voz à liberdade de espírito e força da velhice feminina.

Num futuro próximo estou a dar continuidade ao projeto com o objetivo direcionado para uma exposição, que vai ter lugar na segunda semana de Maio de 2018. Será uma exposição em conformidade com o que tenho vindo a fazer até ao momento, ou seja, pinturas de caras imaginárias de Velhas Bonitonas!

Nós: Esta série de retratos estão agrupados por áreas temáticas, qual o seu significado? O que quer colocar em evidência ao retratar o envelhecimento?

Maria Seruya: Gosto de sentir liberdade para ir criando aquilo que acho relevante e que me apetece. Portanto não há nenhuma regra certa. No entanto, existem alguns temas mais recorrentes que outros, à medida que vou pintando. Por exemplo, mulheres gozonas, sensuais, trombudas, sonhadoras, mascaradas, fashionistas, inteligentes. Mas o que pretendo sempre colocar em evidência é a liberdade de “curtir” a Velhice sem complexos nem culpas!!

Nós: Tem algum retrato especial ou favorito que queira dar nota? Caso afirmativo, porquê?

Maria Seruya: O mais especial é a Velha Bonitona mascarada de Pierrot, gosto muito do olhar confiante e seguro por detrás de algum dramatismo. Ainda hoje me demoro a olhar esta imagem, e foi das primeiras que pintei.

Nós: Se a Maria hoje tivesse 70 ou mais anos e visse uma exposição com as pinturas “Velhas Bonitonas” entenderia o seu significado? Como reagiria? Aceitaria o seu envelhecimento com sensualidade?

Maria Seruya: Claro que sim, eu ADORO estas Velhas, cada uma delas!!!!! E inspiram-me para viver também o meu próprio processo de envelhecimento de forma mais livre, feliz e despreocupada!!

Nós: Esta coleção “Velhas Bonitonas” é a única? Que outro tipo de criações constam do seu portfolio?

Maria Seruya: Esta coleção não é única, apesar de ser a de maior dimensão. Criei outras, sendo a mais relevante um estudo desenvolvido durante 1 ano de desenho de olhos.

Nós: Na vida, o que deixou de ter importância para si? De que está pronta a libertar-se?

Maria Seruya: Deixou de fazer sentido lamentações, queixas, pensamentos negativos, bloqueios, tudo o que impede a felicidade. Cada vez mais vivo uma vida positiva, de inspiração, de desapego, de amor, de força e alegria!!!!!! E as Velhas Bonitonas também tiveram muito impacto neste processo!!!!!

 Nós: O que quer a sua criança interior neste momento?

Maria Seruya: Quer muito um dia ser uma Ganda Velha Bonitona !!!!!

Muito obrigada por este testemunho inspirador para todas as mulheres e para os homens que respeitam as mulheres sabendo que todos partilhamos a mesma condição humana.

Leia, Leve e Inspire-se na vida da Maria Seruya, que será sem dúvida uma “Ganda Velha Bonitona”!

Veja aqui uma galeria de imagens com as belíssimas obras do projeto “Velhas Bonitonas”

 

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