Um olhar lindíssimo sobre a vida, Rute Violante

Um olhar lindíssimo sobre a vida e sobre a natureza que nos rodeia é, sem dúvida o de Rute Violante. Recentemente, estivemos à conversa com Rute Violante sobre o seu magnífico projeto “Magnificent Trees”, hoje falamos sobre outras formas de ver o mundo e de ajudar os outros, com arte e amor.

 

“Percebi que o nosso olhar (diferente do olhar do parceiro do lado) é especial e que estar a fotografar nos coloca no nosso interior, a ver o mundo de acordo com quem somos e o que sentimos e que é também uma ponte de conexão ao outro.

 

Sendo uma fotógrafa apaixonada pela natureza e em especial pelas árvores, como descobre que pode utilizar a fotografia como uma ferramenta de terapia?

Há uns anos atrás, comecei a fazer saídas (pequenas viagens ou idas a eventos) com formandos e amigos para fotografarmos juntos. Nesses dias fotografávamos, passeávamos, conversávamos… eram dias terapêuticos. Isso remonta a 2011 se não me falha a memória, numa altura em que eu própria estava numa fase menos fácil. Sentia sempre que aqueles dias eram uma lufada de ar fresco. Depois partilhávamos as fotografias numa página que temos no facebook e isso criava também um grande buzz em torno dos eventos.
Percebi que o nosso olhar (diferente do olhar do parceiro do lado) é especial e que estar a fotografar nos coloca no nosso interior, a ver o mundo de acordo com quem somos e o que sentimos e que é também uma ponte de conexão ao outro.

 

Para além da natureza tem outro tema preferido para fotografar que possa provocar em si alguma emoção? É um hobby que usa como instrumento de paixão?

Sou apaixonada por 3 ou 4 áreas específicas, mas tenho de confessar que a minha segunda grande paixão é a fotografia de dança contemporânea.

Na verdade, a fotografia é a minha maior fonte de rendimento, mas ainda assim, é um instrumento de paixão e isso é maravilhoso.

 

O movimento dos corpos numa peça de dança, captado numa imagem magnífica de Rute Violante - Dança contemporânea
O movimento dos corpos numa peça de dança captado numa imagem magnífica de Rute Violante -Festival Metadança – “Fake dance” de João Fernandes e Ângelo Cid Neto

 

Quando inicia estudos nesta área? Em Portugal é fácil encontrar formação nesta área?

Realizei o meu primeiro curso de fotografia no CENJOR, em Lisboa, em 1999. Mais tarde, frequentei o 1º curso de fotografia digital do AR.CO- escola de arte independente, em 2006 e em 2014 terminei Mestrado em Fotografia Aplicada no Instituto Politécnico de Tomar. Existem boas formações em fotografia em Portugal a meu ver e de acordo com o que me é possível constatar. Parece-me, contudo, que são maioritariamente cursos técnicos e que a vertente artística é bastante menosprezada.
Ainda assim, tive um excelente professor na vertente artística no IPT – Instituto Politécnico de Tomar. Atribuo-lhe a inspiração e a motivação para os projetos artísticos que criei depois de estudar com ele.
Para além disso, sou pós-graduada em coaching e tenho uma formação de nível I de hipnoterapia.

 

Quando e como resolve iniciar o seu percurso como formadora e terapeuta?

Iniciei-me como formadora de cursos de média duração em 2012 e como facilitadora de retiros em 2013, pelo que estas duas atividades evoluíram paralelamente, ou seja, em complementaridade. Tornei-me formadora de fotografia por convite de uma associação denominada “fábrica de emoções”.
Como terapeuta e facilitadora, decidi a estrutura e o conceito de um retiro artístico durante uma aula do mestrado :). Houve qualquer coisa que o professor disse que me despertou para fazer uma “receita” com todos os nossos ingredientes favoritos e, foi daí, que surgiu o retiro “campo zero”.
As flores dispersas no chão num arranjo belíssimo, fotografia de Rute Violante
As flores dispersas no chão num arranjo belíssimo, fotografia de Rute Violante

 

Na procura da superação de problemas pessoais e do autoconhecimento encontramos ao nosso dispor várias opções e campos de atuação, músicos, psicólogos, arte, etc. De que modo se pode usar esta ferramenta, a fotografia, como “tratamento” terapêutico?

Em Portugal esta área começa agora a ser explorada, mas no estrangeiro, maioritariamente nos Estados Unidos, há imensos terapeutas-artistas que utilizam a fotografia como terapia.
A fotografia pode ser usada de muitas formas para este fim:

utilizando fotografias antigas para despoletar emoções e processos; usando a fotografia captada pela pessoa para perceber a sua forma de ver o mundo ajudando-a nas áreas em que precisa de “encaminhamento” ou até estimulando o trabalho terapêutico através do auto-retrato ou da fotografia de pessoas para desenvolvimento das interações sociais e familiares.

 

Fototerapia ou fotografia terapêutica, qual é a diferença?

Utilizo mais a fotografia terapêutica do que a fototerapia pelo que vou explicar a diferença. A fototerapia como referi anteriormente parte de fotografias antigas (de família, da adolescência, do casamento, etc…), enquanto que a fotografia terapêutica é aplicada de forma diferente, o aluno (ou paciente) é estimulado a fotografar o mundo sob a sua perspetiva. Essa perspetiva deve ser elogiada e reforçada, porque todos temos um olhar lindíssimo sobre a vida. Depois, há que analisar o que fotografa e daí partir para o processo de autoconhecimento ou de consciência de determinadas questões.
Realizei sessões de fototerapia com alunos e pedi-lhes que trouxessem álbuns de família em que fossem crianças ou em que eu tivesse acesso à história da sua vida (em imagens). Ao ver o álbum e enquanto o aluno partilhava informação sobre as fotografias, eu ia fazendo perguntas que me pareciam pertinentes sobre as mesmas: “Onde estava o pai? Porque é que nunca aparece ao colo da mãe? etc…”

 

Quem a procura para realizar uma sessão de fototerapia?

Esta área ainda não está muito disseminada, pelo que, para já, só os formandos que tive no curso de fotografia terapêutica e no curso de fotografia consciente. Ainda assim, nestes cursos, eles são tanto formandos como “pacientes” ou seres humanos em processo de cura e autoconhecimento.

 

Fale-nos um pouco sobre cada uma das terapias que utiliza, em que consistem e a quem se dirigem?

No meu caso, tento não as utilizar de forma isolada. Parece-me que a hipnoterapia ganha muito se a programação positiva realizada em estado de transe for de empoderamento e que o coaching necessita que alguns desbloqueios aconteçam para que seja verdadeiramente eficaz e para isso, a hipnose é uma excelente ferramenta. Vou atuando de forma intuitiva, utilizando ora uma, ora outra.
Em termos genéricos, a hipnoterapia é realizada no subconsciente com a pessoa em estado de transe (relaxamento profundo, ficando a pessoa mais recetiva a sugestões e reprogramações), enquanto que o coaching tradicional é realizado com a pessoa em estado consciente.

A hipnoterapia atua muito sobre os medos, os bloqueios e os traumas substituindo-os por episódios e reprogramações positivas, enquanto o coaching é uma ferramenta de empoderamento que ajuda a pessoa a perceber o seu valor e a fazer mais e melhor.

Uma limpa e pinta de branco onde estava escuro (hipnoterapia) e a outra faz brilhar (coaching)…. É menos fácil fazer brilhar com a parede (subconsciente, crenças, passado) escura.

 

Há alguma história particularmente diferente que tenha vivido enquanto terapeuta?

Tive uma paciente de hipnoterapia que alternou entre o rir e o chorar (descontroladamente em ambos os casos) durante 15 minutos.

 

Deixe aqui uma mensagem e os seus contactos, para motivar quem necessita e quer experimentar as suas terapias.

Todos nós tivemos pequenos episódios traumáticos na infância e/ou na adolescência que nos influenciam hoje, é muito importante que possamos tomar consciência deles, curá-los e seguir, mais fortes e mais felizes.

 

www.ruteviolante.com

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2 comentários

    1. Obrigada por nos acompanhar. Com os nossos artigos procuramos inspirar outros para uma vida plena e comprometida com o que nos rodeia. Tenha uma ótima experiência. Beijinhos

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