Aprender a andar de bicicleta com a Inês…

Inês Sarti Pascoal e a Bicicleta
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Aprender a andar de bicicleta com Inês Sarti Pascoal – A bicicleta é um veículo ecológico, económico, eficiente. É possível utilizar a bicicleta como meio de transporte na cidade, para ir para o trabalho ou escola, ir às compras, transportar as crianças ou os cães, faça chuva ou faça sol.

Mas é preciso aprender a utilizar a bicicleta. A transição deve ser gradual, em 4 passos: aprender a andar, ter know how de equipamentos e materiais, pertencer à comunidade e ter segurança para pedalar na cidade.

A bicicleta é o veículo mais eficiente para deslocações urbanas até 5km, é muito mais económica que um carro. Este veículo contribui para melhorar a qualidade do ar e diminuir os níveis de ruído na cidade, ocupa pouco espaço na via pública e aumenta a segurança rodoviária, pois as velocidades de circulação são inferiores às praticadas pelos veículos automóveis[1].

Os 4 passos essenciais para usar a bicicleta como meio de transporte:

1- O primeiro passo é aprender a andar de bicicleta.

Pode parecer óbvio, mas na verdade é um dos obstáculos à utilização deste meio de transporte. Há muitas pessoas na cidade que não sabem andar de bicicleta. Este era exatamente o meu caso: tirei a carta de condução e já andava de automóvel.

Como ambientalista, percebi que não era assim que queria deslocar-me no dia-a-dia, então aos 22 anos aprendi a andar de bicicleta. Quando comecei a trabalhar, decidi utilizar a bicicleta como meio de transporte para o meu local de trabalho. Como tinha de passar diariamente o rio Tejo, utilizava a bicicleta em articulação com os transportes públicos (barco ou comboio).

Para começar a pedalar não fiz qualquer investimento.

Andava com uma bicicleta velha da minha irmã e carregava a mochila às costas. Era algo pouco confortável, mas eu só queria chegar ao trabalho. Continuava a utilizar o carro para ir às compras, passear para locais mais distantes, levar a minha cadela comigo nos passeios.

Passado uns anos, conheci pessoas que conseguiam utilizar a bicicleta para todo o tipo de deslocações, mesmo para essas que eu ainda não conseguia fazer. Inspirada por essas pessoas, investi numa bicicleta de melhor qualidade. Depois adquiri alforges para transportar mercadorias e até comprei uma caixa de transporte de canídeos.

2- Ter o know how de como utilizar a bicicleta para diferentes tipos de deslocações.

Há muitas pessoas que acreditam que não conseguem trocar o carro por uma bicicleta. Porque têm filhos ou porque têm 2 trabalhos em sítios diferentes da cidade, ou porque moram nos subúrbios, ou porque têm de transportar carga.

Todas essas deslocações podem ser feitas em bicicleta na maioria dos casos, mas é preciso ter os conhecimentos para o fazer.

Não é de um dia para o outro, porque envolve mudança de equipamentos e material, mudança de rotinas, mas principalmente mudança de mentalidades e de paradigma.

3- Pertencer à comunidade pode empoderar utilizadores de bicicletas.

A comunidade de utilizadores de bicicletas é relativamente pequena a nível nacional. Quando se começa a pedalar, pode ser útil conhecer outros ciclistas para trocar ideias e experiências. Também, para se contornar as dificuldades diárias de quem pedala.

A Massa Crítica é um encontro mensal de ciclistas, normalmente às últimas 6f do mês. Existem em várias cidades de Portugal e o movimento é até internacional! Neste grupo, ficas a perceber como te deves posicionar na estrada, principalmente quando a tua cidade ainda não tem ciclovias, o que confere maior segurança, principalmente a novos utilizadores.

As Cicloficinas, oficinas comunitárias de bicicletas, são também pontos de encontro de ciclistas. Existem várias por aí: Lisboa, Almada, Porto, Aveiro, Braga… Nestes locais, para além de se aprender a reparar a bicicleta de forma gratuita, também se pode pedir conselhos a ciclistas experientes sobre materiais e equipamentos para utilizar a bicicleta como meio de transporte.

A MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta tem um fórum onde para além de se poder colocar dúvidas ou questões, se debatem vários temas sobre mobilidade em bicicleta. Aliás, o propósito da associação é sensibilizar e alertar o governo e entidades competentes para a necessidade de criar meios seguros para qualquer pessoa que queira deslocar-se em bicicleta na sua cidade.

A maioria das pessoas só vai adoptar a bicicleta como meio de transporte, se perceber que a alternativa é, não só vantajosa, mas também segura para si.

 

4- Pedalar em segurança na cidade

O último passo e possivelmente o mais importante para a transição para a mobilidade em bicicleta é ter segurança para pedalar na cidade.

É preciso mais ciclovias, caminhos cicláveis, ruas de tráfego com velocidade rodoviária reduzida. Desta forma, haverá uma motivação para quem queira transitar as suas deslocações de carro para a bicicleta[2].

No meu caso, comecei a utilizar a bicicleta como principal meio de transporte há 5 anos, mas penas há 2 anos consigo fazer tudo o que quero. Utilizo a bicicleta articulando com os transportes públicos e vou para o trabalho, para a faculdade, transporto a minha cadela a “Aveia”, vou de férias.

Não tenho e não quero ter carro, pelo menos por agora. Esta forma de estar não aconteceu de um dia para o outro, foi uma mudança gradual, onde tive de aprender a utilizar a bicicleta.

 

Inês Sarti Pascoal da MUBi, cedeu-nos estas palavras. A equipa Hucilluc agradece!

 

[1] – MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta. Vantagens da bicicleta. https://mubi.pt/vantagens/
[2] – Rosa Félix, Filipe Moura, Kelly J. Clifton (2019). Maturing urban cycling: Comparing barriers and motivators to bicycle of cyclists and non-cyclists in Lisbon, Portugal.  https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S2214140518306054

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