Recordações , um texto de Vítor Encarnação

Recordações

Recordações, quem não tem recordações?  Múltiplos objetos que guardamos e que são pedaços da nossa vida, são memórias que vivem em nós congeladas no tempo, à espera de uma oportunidade para nos fazerem sorrir ou chorar.

Tal como nos diz Vítor Encarnação:

 

“Todos guardamos pedaços da nossa vida em caixas de papelão. Nunca fomos capazes de nos desfazer deles, …”

 

 

 

Recordações

Todos guardamos pedaços da nossa vida em caixas de papelão. Nunca fomos capazes de nos desfazer deles, nem quando mudámos de casa, nem quando mudámos de estado civil, nem quando mudámos de rumo. Resistem às limpezas, ao fogo, ao lixo, mantém-se imunes à dor, à raiva, à saudade, à indiferença, subsistem para além da memória e do esboroar do tempo.

São pedaços de nós, marcos da nossa existência, cadernos, bonecas, papéis escritos, desenhos, fotografias, notas da escola, cartas de despedida, bilhetes de viagens, postais ilustrados, moradas perdidas, canetas gastas, isqueiros vazios, números de telefone que já não existem, agendas mortas, chaves que já não abrem porta nenhuma.

Parecem ser coisas avulsas, objetos desgarrados uns dos outros, partes sem um todo, flores de vidro e de plástico colhidas ao acaso. Parecem ser isso tudo, mas não são. São na verdade a casa onde a nossa alma mora. E essa casa tem janelas e paredes feitas de tempo e memória. É lá, no meio de recordações, que ela vive quase sempre sozinha, quase sempre em segredo.

E de vez em quando abrimos as caixas de papelão e dentro de nós há coisas que se agitam quando pegamos naquela coleção de fragmentos da nossa vida.

Pegamos-lhe ao colo como quem pega na criança que fomos, mas às vezes quem chora somos nós.

 

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As amigas do Blog Hucilluc foram aos seus baús de recordações, aqui ficam algumas das suas memórias

Do autor Vítor Encarnação pode ler:

Senhora da Cola, um texto de Vítor Encarnação

A nossa praia, de Vítor Encarnação

Azul, de Vítor Encarnação

A vida é um rio, de Vítor Encarnação

Luz, um texto de Vítor Encarnação 

Encruzilhada, um texto de Vítor Encarnação;

Abraço, um texto de Vítor Encarnação 

Vinho, Vítor Encarnação;  

A serenidade nos tempos de vírus – Vítor Encarnação

Flor de Laranjeira, Vítor Encarnação 

Já nada existe antes da primavera, Vítor Encarnação 

Amor impossível, Vítor Encarnação

Levantar Cedo, Vítor Encarnação

Estiagem, Vítor Encarnação

Esquecimento, Vítor Encarnação

Língua mãe, Vítor Encarnação

Azeitonas, Vítor Encarnação

Hora Zero, Vítor Encarnação 

Autoestima, Vítor Encarnação

O Livro do Tempo, Vítor Encarnação

Contentamento, Vítor Encarnação

Labirinto,  Vítor Encarnação

Entrevista de Vítor Encarnação

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